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Na Tunísia, justiça decide que homem pode deixar de usar sobrenome ligado à escravidão

Hamden Dali agora poderá abandonar nome que significa "libertado da escravidão"

Isabela Barreiros Publicado em 17/10/2020, às 11h52

Imagem ilustrativa de assinatura
Imagem ilustrativa de assinatura - Pixabay

Na última semana, um tribunal na Tunísia decidiu que um homem poderá abandonar o uso de uma palavra que estava relacionada com a escravidão em seu nome. Hamden Dal, um tunisiano de 81 anos, agora poderá retirar de seu nome o termo “ateeq”, que significa "libertado da escravidão".

No país, a palavra é utilizada geralmente como nome do meio, mas há muito tempo vem sendo criticada. Segundo os advogados de Dal, o uso do termo no nome discrimina tunisianos negros, trazendo grandes dificuldades para sua inserção no mercado de trabalho.

A escravidão foi abolida na Tunísia em 1846 e, hoje, os negros tunisianos, descendente de indivíduos trazidos da África Subsaariana para trabalharem como escravos, consistem em cerca de 15% da população do país. 

"Em 'Ateeq Dali', há uma certa humilhação porque é como se a pessoa não fosse livre — há um desconforto para a família viver com esse nome", afirmou o advogado Hanen Ben Hassena em entrevista à Reuters.