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Justificativa de compra de Viagra pelas Forças Armadas é questionada por médicos

Órgão solicitou a compra de 35 mil comprimidos de Viagra junto ao governo federal

Ingredi Brunato, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 12/04/2022, às 14h32

Um típico comprimido de Viagra
Um típico comprimido de Viagra - Getty Images

Na última segunda-feira, 11, as Forças Armadas brasileiras solicitaram a compra de 35 mil comprimidos de Viagra junto ao Governo Federal. A justificativa por trás do pedido, contudo, que é o tratamento de hipertensão arterial pulmonar (HAP), tem causado estranhamento entre autoridades de saúde.

Um dos principais motivos para tanto é o fato da doença não apenas ser rara, como também afetar mais mulheres do que homens, conforme explicado por Margareth Dalcolmo, uma médica especialista do pulmão, em entrevista ao G1: 

Na população geral, a incidência da HAP é pequena: 1 caso para cada 250 mil pessoas, sendo que, na proporção, são 5 mulheres com a doença para apenas 1 homem com a doença", relatou ela, de acordo com o veículo. 

Outro detalhe de relevância é que a dose de sidenafila (que é o nome da substância presente no Viagra) recomendada para pessoas sofrendo de hipertensão pulmonar é de 20 mg, e os comprimidos encomendados pelas Forças Armadas são de 25 mg, uma dose mais apropriada para o tratamento de disfunção erétil. 

Como a HAP é uma doença grave, que inclui falta de ar e tonturas, ainda é possível questionar se aqueles que sofrem com a condição sequer deveriam estar prestando serviço militar. Ainda conforme o G1, as Forças Armadas afirmaram não saber quantos soldados brasileiros vivem com a hipertensão pulmonar.