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Notícias / Khinjaria acuta

Lagarto marinho com 'rosto de demônio' viveu há 66 milhões de anos

Com oito metros de comprimento, o mesmo que uma orca, Khinjaria acuta tinha dentes parecidos com "adagas" e assombrou os oceanos no Cretáceo Superior

Fabio Previdelli

por Fabio Previdelli

fprevidelli_colab@caras.com.br

Publicado em 06/03/2024, às 13h07

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Representação do Khinjaria acuta - Universidade de Bath
Representação do Khinjaria acuta - Universidade de Bath

Com oito metros de comprimento, o mesmo que uma orca, um antigo lagarto marinho com "rosto de demônio" e dentes semelhantes a "adagas" assombrou os oceanos há 66 milhões de anos

A espécie, que mais parece ter saído de um filme de ficção científica, trata-se do Khinjaria acuta — que viveu ao lado de outras temíveis criaturas como Tiranossauro e o Triceratops. Eles, porém, eram dominantes nos oceanos. 

Como uma aparência de "pesadelo", detalhes sobre o Khinjaria acuta foram publicados em estudo divulgado no último dia primeiro na revista Cretaceous Research. Saiba mais detalhes!

+ Espécie marinha é declarada extinta devido à ação humana

O pesadelo dos oceanos

Através do estudo de um crânio e outros restos de esqueletos encontrados numa mina de fosfato a sudeste de Casablanca, a maior cidade de Marrocos, o Dr. Nick Longrich, da Universidade de Bath, liderou a pesquisa sobre o lagarto marinho

Fóssil do Khinjaria acuta - Universidade de Bath

Pelo formato alongado de sua cabeça e sua musculatura da mandíbula, os pesquisadores sugerem que a criatura possuía "uma força de mordida terrível". O Khinjaria pertenceu a uma família de lagartos marinhos gigantes conhecidos como mosassauros — que são os antigos parentes dos atuais dragões de Komodo e sucuris.

Principais predadores de seu tempo, eles ocupavam o topo da cadeia alimentar dos oceanos ao lado de outros mosassauros, como os Xenodens com "dentes de serra" e os Stelladen com "dentes de estrela", segundo o estudo.

"O que é notável aqui é a enorme diversidade dos principais predadores", aponta Nick, segundo repercutido pelo Daily Mail. "Temos várias espécies que crescem mais do que um grande tubarão-branco e são predadores de topo, mas todos têm dentes diferentes, sugerindo que caçam de maneiras diferentes".

Alguns mosassauros tinham dentes para perfurar a presa, outros para cortar, rasgar ou esmagar… Agora temos Khinjaria, com um rosto curto cheio de enormes dentes em forma de adaga", diz. 

Os especialistas especulam que as correntes quentes e as águas da região, ricas em nutrientes, podem ter fornecido alimento a inúmeras criaturas marinhas e, consequentemente, sustentado numerosos predadores de topo.

Sabe-se que os mosassauros foram extintos na mesma época que os dinossauros, há cerca de 66 milhões de anos; no final do período Cretáceo Superior. A causa exata de sua extinção, embora não seja totalmente compreendida, é relacionada às consequências do impacto massivo de um asteroide na Península de Yucatán, no México.

"Parece ter havido uma enorme mudança na estrutura do ecossistema nos últimos 66 milhões de anos", disse o Dr. Longrich. "Esta incrível diversidade de predadores de topo no Cretáceo Superior é incomum e não vemos isso nas comunidades marinhas modernas".

"Se há algo nos répteis marinhos que fez com que o ecossistema fosse diferente, ou as presas, ou talvez o ambiente, não sabemos… Mas esta foi uma época incrivelmente perigosa para ser um peixe, uma tartaruga marinha ou mesmo um réptil marinho", finalizou.