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“Lamento sinceramente”, diz ex-primeiro-ministro do Japão sobre escândalo que protagonizou

"Dei explicações contrárias aos fatos", admitiu Shinzo Abe em declaração ao Parlamento nesta sexta-feira, 25

Fabio Previdelli Publicado em 25/12/2020, às 09h49

Shinzo Abe, ex-primeiro-ministro do Japão
Shinzo Abe, ex-primeiro-ministro do Japão - Wikimedia Commons

Apôs um escândalo relacionado ao financiamento de recepções organizadas para seus partidários, o ex-primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu desculpas ao Parlamento nesta sexta-feira, 25. As informações são do UOL

"Embora não soubesse, sinto uma responsabilidade moral. Lamento sinceramente e peço desculpas aos meus colegas do Parlamento", declaro Abe na Câmara Baixa. Apesar dos indícios, os promotores decidiram não apresentar acusações contra o ex-primeiro-ministro.  

Entretanto, isso não impediu que ele renunciasse, em setembro. Porém, na ocasião, Shinzo alegou problemas de saúde. Aos 66 anos, ele havia batido o recorde de permanência no cargo (quase 9 anos) quando decidiu deixar sua função, em setembro.  

Na declaração feita hoje, Abe negou qualquer fraude pessoal, mas admitiu que se equivocou em algumas declarações dadas ao Parlamento. "Dei explicações contrárias aos fatos", admitiu. Apesar disso, ele se comprometeu a "trabalhar duro para servir ao povo ganhando sua confiança". 

Segundo as leis do país, os gastos em eventos políticos devem ser declarados, algo que o gabinete de Abe não fez com os jantares de grupos que o apoiava, como os que aconteceram nas vésperas do tradicional Festival Nacional das Cerejeiras, que é um evento patrocinado pelo governo a cada primavera.  

Acredita-se que seu gabinete, durante os últimos cinco anos, até 2019, tenha gastado em torno de oito milhões de ienes, algo na casa dos 400 mil reais. Nesses eventos, inclusive, o governo de Abe foi acusado de convidar membros da Yakuza, a máfia japonesa.