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Leiloeiro é criticado por Museu do Holocausto após anúncio de venda de itens de Auschwitz

Entre os objetos estão carimbos que foram utilizados para tatuar prisioneiros no campo de extermínio

Redação Publicado em 03/11/2021, às 08h35 - Atualizado às 15h09

Carimbos de tatuagem e manual de instruções
Carimbos de tatuagem e manual de instruções - Divulgação / Tzolmans Auction House

A realização de um leilão no próximo dia 9 em Jerusalém tem preocupado o chefe do Memorial do Holocausto de Israel.

A polêmica teve início quando o leiloeiro Meir Tzolman anunciou que iria vender objetos que, no passado, foram utilizados para tatuar prisioneiros no campo de concentração de Auschwitz.

Conforme afirma a casa de leilões Tzolmans em seu site oficial, o conjunto de 14 carimbos com agulhas, que acompanha um manual do fabricante é "o item mais chocante do Holocausto". Apesar da repercussão negativa da iniciativa, Tzolman declarou à Rádio do Exército que seu objetivo com a venda era "aumentar a conscientização" das pessoas.

"Sou o último a subestimar ou diminuir o valor do Holocausto", declarou o leiloeiro, de acordo com informações da BBC. "Quero ter certeza de que o item cairá nas mãos certas e não desapareça das páginas da história."

Segundo a casa de leilões, o conjunto é um dos três existentes no mundo, sendo que um deles estaria em exposição no Museu Médico Militar de São Petersburgo, na Rússia, enquando o último no Museu de Auschwitz.

Conforme a fonte, Dani Dayan, presidente do Memorial do Holocausto, Yad Vashem, manifestou sua indignação com a venda por meio de uma nota compartilhada em seu perfil no Twitter.

Na publicação, Dayan considerou que a instituição "se opõe à existência de um mercado para objetos judeus ou nazistas da época do Holocausto" e declarou que "comerciantes gananciosos" apenas servem para encorajar esse tipo de atividade.

Também o chefe da Associação Judaica Europeia, Rabino Menachem Margolin, criticou a realização do leilão, pedindo ao ministro da Justiça de Israel que o mesmo acabasse com o que chamou de "venda desprezível".

Segundo cobertura atualizada da BBC, o leilão do item, que seria executado no dia 09 de novembro, foi suspenso por um tribunal israelense, após denúncia feita por um advogado do Centro de Organizações de Sobrevivente do Holocausto. 

A sua acusação foi baseada no fato de que “Um item tão malévolo não deve ter um dono, sua venda é ilegal e vai contra a doutrina de decência pública”, afirmou o profissional à BBC. No dia 16, será organizada mais uma audição para decidir, definitivamente, se o leilão poderá ser feito ou não.