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Liberação do uso de maconha não aumentou abuso ou dependência nos EUA, diz estudo

Pesquisa acompanhou as consequências da evolução das legislações norte-americanas durante quase uma década; saiba mais!

Ingredi Brunato, sob supervisão de Fabio Previdelli Publicado em 11/10/2021, às 13h53

Fotografia ilustrativa de um pé de maconha
Fotografia ilustrativa de um pé de maconha - Divulgação/ Pixabay/ herbalhemp

Uma epidemiologista brasileira lançou recentemente no periódico médico JAMA Network Open um artigo que analisou o uso de maconha nos Estados Unidos no período de 2008 até 2017. 

No início da pesquisa, 12 dos 50 estados norte-americanos haviam liberado o uso da erva para fins medicinais. No ano final, por sua vez, o número que permitia a maconha medicinal havia subido para 30, e, desses, também haviam nove estados que liberaram o uso recreativo da substância. 

Os resultados encontrados pela pesquisadora foram positivos: Sílvia Martins, que dá aulas na prestigiada Universidade Columbia, na cidade de Nova York, descobriu que o consumo da erva não aumentou consideravelmente entre os adolescentes ou dentro da população negra, segundo repercutido pelo UOL.

O abuso da substância e a quantidade de pessoas que desenvolveram dependência também não foram alterados pelas legislações mais permissivas, que adotaram uma postura diferente daquela que era vista nas políticas que ficaram conhecidas por constituir uma guerra às drogas

Segundo concluído pelo estudo, o consumo de maconha tornou-se mais comum na população geral dos Estados Unidos, mas nada mais. "As pessoas que eram contra a legalização medicinal ou recreativa tinham dois grandes medos. O primeiro era o de que aumentaria o uso entre adolescentes; o outro era que aumentaria o uso frequente, e o abuso e a dependência", relatou Sílvia, também conforme o UOL. 

"A gente não viu aumento de uso frequente (diário) em nenhum dos subgrupos analisados e não viu aumento em abuso e dependência em nenhum dos subgrupos. Mais importante ainda, não vimos nenhum aumento entre pessoas de 12 a 20 anos", concluiu ela. 

Um dos possíveis fatores que contribuiu para o sucesso dessas novas medidas governamentais norte-americanas, avaliou a pesquisadora em seu estudo, foi o fato que os impostos que puderam ser cobrados pela venda da droga foram então investidos em programas de conscientização focados nos jovens. 

"São dois lados da mesma moeda. Você deixa o indivíduo tomar a decisão sobre usar ou não, mas em contrapartida investe em prevenção para que a pessoa não comece a usar cedo", explicou Martins.

Uma outra vantagem encontrada pela especialista com a atenuação da guerra às drogas é que ela tende a diminuir a desigualdade entre a negros e brancos no sistema prisional estudanidense com infrações relacionadas à maconha. Segundo pontou Sílvia, a população negra era o grupo mais afetado por essas políticas. A nova postura norte-americana, por sua vez, está atenuando a questão.