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Líder do Partido Comunista Cubano, Raúl Castro anuncia aposentadoria e pede diálogo com o EUA

"Ratifico deste congresso do Partido a vontade de desenvolver um diálogo respeitoso e edificar um novo tipo de relação com os Estados Unidos", declarou o irmão de Fidel

Fabio Previdelli Publicado em 17/04/2021, às 08h51

Raúl Castro ao lado de Che Guevara
Raúl Castro ao lado de Che Guevara - Wikimedia Commons

Durante discurso no primeiro dia do oitavo congresso do Partido Comunista Cubano, realizado ontem, 16, Raúl Castro, irmão de Fidel e secretário do Partido, o maior cargo de poder na ilha, anunciou que deixará sua função e pediu um diálogo mais respeitoso com os Estados Unidos. As informações são da AFP. 

"Ratifico deste congresso do Partido a vontade de desenvolver um diálogo respeitoso e edificar um novo tipo de relação com os Estados Unidos", disse Castro, que também pediu que isso aconteça sem renunciar "aos princípios da revolução e do socialismo". 

Além disso, o último grande discurso de Raúl, voltado ao novo presidente americano, Joe Biden, também citou que os americanos não podem exigir que Cuba renuncie “à autodeterminação dos povos”, que é um dos princípios de sua “política externa, comprometida com as causas justas” e também com “o histórico apoio a países irmãos”, fazendo referência à Venezuela, por exemplo.  

Esta não é a primeira vez que Castro tenta criar elos melhores com os americanos. Em 2014, durante a gestão de Barack Obama, o líder cubano conseguiu reativar relações diplomáticas, que haviam sido rompidas em 1961. 

Porém, quando Donald Trump assumiu a presidência, esses avanços acabaram regredindo, ainda mais pelo motivo do republicano ter implementado duros reforços ao embargo econômico, que está em vigor desde 1962 na ilha.  

Durante apresentação de seu Relatório Central ao Congresso, o irmão de Fidel reiterou seu desejo de eixar todos os cargos diretivos do Partido Comunista, porém, deixou claro que pretende permanecer ligado a ele como um simples militante até o fim de sua vida.  

"Termina a minha tarefa como primeiro secretário (...) com a satisfação do dever cumprido e com a confiança no futuro da pátria, com a convicção meditada de não aceitar propostas para me manter nos órgãos superiores da organização partidária", disse. 

Perto de completar 90 anos, o líder cubano deixou claro que nada o “obriga a esta decisão”, dizendo acreditar “fervorosamente na força e no valor do exemplo e na compreensão dos meus compatriotas".