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Livro corrige apagamento histórico sofrido por artista negro

Com base em arquivos, jornais e depoimentos, a obra 'Manuel Messias – Do tamanho do Brasil' será lançada em 12 de fevereiro

Redação Publicado em 26/01/2022, às 20h00 - Atualizado às 21h00

Ilustração do livro 'Manuel Messias – Do tamanho do Brasil'
Ilustração do livro 'Manuel Messias – Do tamanho do Brasil' - Divulgação/ Danielian Edições

Nascido em 1945, o artista Manuel Messias dos Santos teve participação ativa na cena artística brasileira durante 30 anos, com exposições no Brasil e no exterior. Agora, um livro especial se propõe a não apenas recuperar a cronologia do artista, como também enaltecer a importância do artista brasileiro que sofreu um processo de ‘apagamento’.

Intitulado ‘Manuel Messias — Do tamanho do Brasi’, o livro sobre o artista negro será lançado em 12 de fevereiro deste ano, como segunda etapa de um projeto da Danielian Galeria para preencher a lacuna existente sobre o importante artisa plástico.

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Resultado de minuciosa pesquisa, feita a partir de arquivos de jornais e catálogos, o livro conta com textos escritos por Ademar Britto Junior, Guilherme Gutman, Lilia Schwarcz, Marcus de Lontra Costa, e Rafael Fortes Peixoto. Além dos grandes autores, a obra ainda conta com uma cronologia do artista por Izabel Ferreira.

Baseado em mais de 200 trabalhos rastreados em acervos particulares e instituições, e mais de 200 artigos encontrados em jornais e outras publicações, o livro também foi escrito a partir de depoimentos de quem conviveu com Manuel, como Anna Bella Geiger, Martha Pires Ferreira, Guilherme Gutman, Matias Marcier e Evandro Carneiro.

Antes do lançamento da obra, a Danielian Galeria realizou, entre setembro e outubro de 2021, a exposição ‘Manuel Messias — Do Tamanho Do Brasil’, que contou com 50 obras, entre xilogravuras, pinturas com tinta a óleo e pastel, criadas pelo grande artista.

Agora, com o livro, Ludwig Danielian, que comanda a Danielian Galeria, espera disseminar ainda mais conhecimento sobre Manuel Messias. Localizada na Gávea, no Rio de Janeiro, a galeria foi fundada em 2005, por Ludwig e seu irmão, Luiz Danielian.

“Com esse projeto, temos a intenção de abrir espaço para mais discussões e reflexões sobre a obra desse grande artista que migrou do Sergipe para o Rio de Janeiro, onde se estabeleceu e enfrentou na carne as injustiças sociais, o racismo estrutural e a pobreza, resistindo através de sua obra”, narrou Ludwig.

Manuel Messias chegou a ser premiado diversas vezes, e com unanimidade crítica, graças a suas obras, mas sofreu um processo de “apagamento” na história da arte brasileira — muito disso devido à sua origem humilde, por ser negro, e pelo fato de que, nos últimos dez anos de vida, esteve em situação de rua em diversos períodos.