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Lutou contra o apartheid: Livro reúne ensaios e diário íntimo da renomada Audre Lorde

Sou sua irmã, organizado por Djamila Ribeiro, apresenta a trajetória e ideais da feminista negra

Victória Gearini Publicado em 16/11/2020, às 15h30

Escritora feminista Audre Lorde
Escritora feminista Audre Lorde - Wikimedia Commons

Nascida em 1934, nos Estados Unidos, a escritora Audre Lorde graduou-se em biblioteconomia pelo Hunter College, em 1959. Cerca de dois anos depois concluiu seu mestrado pela Columbia University, sendo contemplada com diversos prêmios ao longo de sua carreira. 

Além de trabalhar como professora de literatura no John Jay College, a escritora atuou como editora de poesia no jornal feminista Chrysalis. Mais tarde fundou a editora Kitchen Table: Women of Color Press, para disseminar a produção de feministas negras. 

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Sou sua irmã, de Audre Lorde (2020) / Crédito: Divulgação / Ubu Editora

Já em 1985, criou a rede de apoio Sisterhood in Support of Sisters in South Africa (Irmandade de apoio às irmãs na África do Sul, em tradução livre), que visava ajudar na luta das mulheres sul-africanas contra o apartheid.

Audre Lorde veio a falecer em 17 de novembro de 1992, aos 58 anos, após enfrentar um grave câncer. No entanto, a escritora deixou diversos arquivos, que passaram a integrar a coleção do Spelman College, em Atlanta. 

Lançada em julho deste ano, pela Ubu Editora, sua obra Sou sua irmã, reúne escritos inéditos da autora. Compilado por Djamila Ribeiro, este livro apresenta ensaios, aulas, palestras, textos de apresentação e um diário íntimo que acompanha a trajetória de Lorde, após a autora receber o diagnóstico de um câncer no fígado. 

“Nasci negra e mulher. Estou tentando me tornar a pessoa mais forte possível para usufruir a vida que me foi dada e ajudar a desencadear as mudanças em direção a um futuro aceitável para o planeta e para minhas crianças. Como negra, lésbica, socialista, mãe de dois, entre eles um menino, e integrante de um casal interracial, com frequência me vejo parte de um grupo em que a maioria me define como desviante, difícil, inferior ou simplesmente ‘errada’”, disse Audre Lorde na apresentação da obra.

Sem hierarquizar as pautas sociais, a escritora foi pioneira na abordagem interseccional do feminismo, pautando a opressão sofrida por mulheres, população LGBTQIA+ e pessoas negras. Entre 1960 e 1990, Lorde participou, ainda, ativamente do movimento negro, feminista e LGBT. 

“Sua obra no Brasil vem sendo propagada há pouco tempo no mercado editorial, mas as feministas negras já tinham alguns de seus escritos traduzidos em comunidades há muito tempo. Sabiam do poder das palavras da pensadora feminista negra de ascendência de Barbados, no Caribe, aquela que deixou raízes tão profundas na Alemanha, que contribuiu decisivamente para a organização do movimento das afro-alemãs, cada vez mais fortes no país, assim como seus escritos, que conquistaram a fama de lendários”, disse Djamila Ribeiro na apresentação de Sou sua irmã (2020).

Disponível na Amazon, em formato de capa comum e Kindle, esta obra conta, ainda, com organização e prefácio de Djamila Ribeiro, tradução de Stephanie Borges, orelha de Jurema Werneck e quarta-capa de Ana Claudino.

Confira abaixo um trecho de Sou sua irmã (2020): 

“Toda vez que venho ao Medgar Evers College sinto empolgação, ansiedade e prazer, porque é como voltar para casa, conversar com a família, ter a oportunidade de falar sobre temas muito importantes para mim, com pessoas que são igualmente importantes. E isso se aplica especialmente às ocasiões em que venho falar no Women’s Center. No entanto, como em todas as famílias, às vezes temos dificuldade de lidar de maneira construtiva com as diferenças genuínas entre nós e de reconhecer que a união não exige que sejamos idênticas umas às outras. Mulheres negras não são um grande tonel de leite achocolatado homogêneo. Temos muitas faces diferentes e não precisamos nos tornar idênticas para trabalharmos juntas. 

Não é fácil para mim falar com vocês aqui como uma feminista negra lésbica e admitir que algumas formas como me identifico dificultam que me escutem. Mas nos encontrarmos em meio às diferenças exige flexibilidade conjunta, e, enquanto vocês não forem capazes de me ouvir como feminista negra lésbica, nossas forças não estarão realmente conectadas como mulheres negras.”


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