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Local monástico cristão do século 4 é descoberto no Egito

Os pesquisadores identificaram os vestígios da comunidade primitiva em uma área “um tanto isolada”, perto do Oásis de Bahariya

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 17/03/2021, às 14h14

O complexo cristão descoberto
O complexo cristão descoberto - Divulgação/Ministério Egípcio de Turismo e Antiguidades

Arqueólogos de um time franco-norueguês descobriram um assentamento monástico cristão primitivo em Tel Ganub Qasr Al-'Aguz, no Oásis de Bahariya, a quase 400 km do Cairo, no Egito. As informações foram divulgadas pelo Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito, conforme repercutido pelo portal Smithsonian.

Foram encontradas estruturas de três igrejas e aposentos de monges feitas de basalto e tijolos de barro. O local está dividido em seis setores, que conta ainda com quartos, um vestíbulo, uma sala de estar, e câmaras esculpidas diretamente em rochas ligadas a uma igreja.

Essas salas em questão apresentam uma característica muito peculiar: suas paredes contém textos escritos em amarelo, que podem ser trechos bíblicos. Para o pesquisador Victor Gica, líder da equipe, essa descoberta pode ajudar os especialistas a entenderem mais como era a vida na região no passado.

Crédito: Divulgação/Ministério Egípcio de Turismo e Antiguidades

 

A partir da datação de radiocarbono, os arqueólogos afirmaram que o local foi habitado entre os séculos 4 e 8 d.C., alcançando seu auge durante os séculos 5 e 6. Segundo Nevine El-Aref do Ahram Online, o complexo é “o mais antigo local monástico cristão preservado que foi datado com certeza”.

Além de ser muito antigo, o assentamento também foi encontrado em uma região “um tanto isolada”, o que, somado aos símbolos e escritos cristãos, sugere que o local era lar de uma comunidade monástica primitiva.

“A posição isolada do sítio, no deserto, fora das aldeias romanas conhecidas, bem como a organização dos espaços internos dos setores inteiramente escavados, a disposição dos grupos construídos e os grafites gravados nas paredes [no setor um] deixa poucas dúvidas quanto à natureza semi-ancorada do estabelecimento”, explicou Gica