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Lua e Terra já tiveram campo magnético compartilhado, revela estudo da NASA

Essa divisão, inclusive, teria sido responsável pelo desenvolvimento da vida terrestre

Fabio Previdelli Publicado em 19/10/2020, às 11h31

A Terra e a Lua
A Terra e a Lua - Pixabay

De acordo com um estudo liderado pela NASA, a Terra e a Lua já dividiram um campo gravitacional há milhões de anos. Essa divisão, inclusive, teria sido responsável pelo desenvolvimento da vida terrestre. Os resultados foram divulgados na Science Advances

Segundo as principais teorias que são aceitas atualmente entre os cientistas, nosso planeta era um lugar completamente inabitável, devido às altas temperaturas, a toxidade do ar e também a radiação solar. Porém, quando a Terra se chocou com um objeto espacial, chamado de Theia, que tem um tamanho aproximado de Marte, dejetos desse corpo se ligaram no que hoje é a Lua.  

Assim, devido a gravidade, nosso satélite estabilizou o eixo de rotação de nosso planeta. Antes, um dia por aqui, por exemplo, durava em torno de cinco horas. Outro fator diferente naquele período, cerca de 4 bilhões de anos trás, é que a Lua estava a pouco mais que 128 mil quilômetros de distância da Terra —  hoje essa diferença é de mais de 383 mil quilômetros.  

Foi justamente essa época que os cientistas estudaram. Ao analisarem como os campos magnéticos desses dois lugares se comportavam naquele período, os pesquisadores concluíram que, em algumas ocasiões, a magnetosfera da Lua serviu como um “escudo” para proteger nosso planeta de explosões de radiação vindas do sol. Tudo porque a magnetosfera terrestre estaria ligada por seus polos.  

Se isso não existisse, os ventos solares removeriam nossa atmosfera, acabando com a condição básica para o desenvolvimento de vida por aqui. Caso isso ocorresse, teríamos uma condição semelhante a que Marte passou.  

Além dessa proteção, os pesquisadores creem que esse compartilhamento entre campos magnéticos possibilitou uma troca atmosférica entre esses dois lugares. Com isso, a luz ultravioleta do Sol tiraria elétrons das partículas neutras da atmosfera superior da Terra e, assim, essas partículas carregadas seriam transportadas para a Lua.

O que, possivelmente, fez com que nosso satélite natural tivesse uma atmosfera rarefeita naquele tempo. Essa hipótese é reforçada por diversas amostras de rochas lunares que contém resquícios de nitrogênio - o gás mais abundante em nossa atmosfera.  

Esse campo magnético teria existido entre 4,1 e 3,5 bilhões de anos atrás e só foi “desfeito” porque a Lua esfriou, o que a fez perder sua magnetosfera, o que, posteriormente, levou ao desaparecimento de sua atmosfera.

Além da relação Lua-Terra, o estudo analisa a possibilidade de que outras luas da Via Láctea tenham ajudado seus exoplanetas a preservarem suas atmosferas, fazendo com que, possivelmente, os tenha proporcionado condições habitáveis.  

“A Lua parece ter representado uma barreira protetora substancial contra o vento solar para a Terra, o que foi fundamental para a capacidade da Terra de manter sua atmosfera durante esse tempo”, explica o cientista-chefe da Nasa e principal autor do novo estudo, Jim Green, em um comunicado.  

“Estamos ansiosos para acompanhar essas descobertas quando a Nasa enviar astronautas à Lua por meio do programa Artemis, que trará amostras importantes do polo sul lunar.”