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Notícias / Archie Battersbee

Mãe desabafa após decisão judicial que pode tirar aparelhos do filho em coma

Hospital recebeu autorização da justiça britânica para desligar os aparelhos do garoto, que está em coma

Redação Publicado em 15/06/2022, às 19h50 - Atualizado às 19h56

Archie Battersbee, no hospital e Hollie Dance - Divulgação /  Arquivo pessoal via BBC / Christian Sinibaldi via The Guardian
Archie Battersbee, no hospital e Hollie Dance - Divulgação / Arquivo pessoal via BBC / Christian Sinibaldi via The Guardian

Archie Battersbee, de 12 anos, foi encontrado inconsciente em sua casa na cidade de Southend-on-Sea, em Essex, na Inglaterra, no dia 7 de abril. Desde então, o jovem se encontra internado e em estado de coma no Royal London Hospital, em Londres.

No entanto, após alguns testes clínicos não terem mostrado atividade cerebral "discernível", os médicos do hospital responsável por Archie afirmaram que era "altamente provável" que o garoto tivesse sofrido morte cerebral, solicitando assim para a Justiça que os aparelhos que mantinham Archie 'vivo' pudessem ser, portanto, desligados.

A juíza Emma Arbuthnot, por sua vez, autorizou o desligamento dos aparelhos, o que levou a família a questionar a decisão, que havia sido tomada sem a consulta deles juntamente. Hollie Dance, mãe de Archie, disse na ocasião que se encontrava "devastada" com a decisão, segundo a BBC.

Hollie comentou, em entrevista ao The Guardian, que “seu coração ainda está batendo e queremos que o tratamento continue. Meu filho não teve tempo suficiente e houve milagres em que as pessoas voltaram de lesões cerebrais”.

Ela também comparou a situação do filho com pacientes de covid-19: "Há pacientes de Covid que ficam de seis meses a um ano e estão em ventiladores lutando por suas vidas. Archie teve oito semanas muito curtas e estivemos dentro e fora do tribunal”.

"Ele mantém sua própria pressão arterial, ele mantém sua própria temperatura. E ele tem segurado minha mão. Em uma ocasião, ele apertou meus dois dedos com tanta força que eles ficaram vermelhos.”, disse Hollie.

Por isso, a família acabou entrando em batalha judicial por Archie, defendendo que o garoto ainda estava vivo e que os aparelhos deveriam ser mantidos em funcionamento, já que o coração do garoto ainda estava batendo, ao passo que a Justiça já havia autorizado o desligamento do equipamento.

“Era óbvio para mim que o juiz ficaria do lado do hospital. Não fomos autorizados a avaliar Archie independentemente e não queríamos que o tronco cerebral ou o teste de ressonância magnética fossem realizados”, conta ela ao avaliar a decisão.

A mãe também avalia a relação do acontecido com a internet: “Acho importante dizer que Archie estava copiando um desafio online que viu nas mídias sociais. Acho que os pais precisam saber sobre esse tipo de coisa e o quão rápido isso pode mudar sua vida".

Imagem de família visitando Archie / Reprodução/YouTube/Sky News

Segunda parte do conflito

Hollie diz que pretende seguir lutando pela causa. "Eu não acredito que Archie tenha tido tempo suficiente. Desde o início sempre pensei: 'Qual é a pressa?' O coração dele ainda está batendo, ele agarrou minha mão e, como mãe, e pelo instinto de minha mãe, sei que meu filho ainda está lá", contou.

Ao falar sobre a reação da família, ela disse que os irmãos estão sofrendo muito com todo o acontecido. Ela conta que o irmão mais velho, Tom, fica pedindo para ouvir a voz do irmão mais uma vez e que Laura, sua também irmã mais velha está lidando melhor, ajudando muito no hospital, mas que está sendo difícil. Ela acrescentou que foi uma “montanha-russa emocional” e difícil de processar tudo o que aconteceu.

Conheço milagres, de quando as pessoas voltam da morte cerebral", disse. "Nós pretendemos apelar. Este é apenas o começo. Não vou desistir da luta pelo meu filho", acrescentando que o caso de Archie levanta "questões morais, legais e médicas significativas" em torno da definição legal de morte.