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Mãe de soldado russo procura o filho após foto preocupante

A última vez que Natalya Deineka viu seu filho foi através de uma foto

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 02/03/2022, às 14h30

O soldado russo e possível prisioneiro de guerra, Rafik Rakhmankulov
O soldado russo e possível prisioneiro de guerra, Rafik Rakhmankulov - Divulgação / Arquivo Pessoal

Assim que a invasão russa na Ucrânia começou, na última quinta-feira, 24, o comandante das Forças Armadas da Ucrânia, Valeriy Zaluzny, publicou uma foto de dois homens em uniformes russos e os apontou como prisioneiros de guerra. Um deles foi identificado por sua mãe, Natalya Deineka, como Rafik Rakhmankulov.

O homem é engenheiro de combate da 4ª Divisão de Tanques de Guerra e, de acordo com Deineka, se alistou devido ao dinheiro e estabilidade que o exército russo oferece. A sua mãe apontou que a busca por empregos na Rússia tem sido complicada e essa foi uma saída para Rafik, que não esperava uma invasão.

Os militares recebem moradia, você pode receber um salário normal lá. Não há emprego no país agora. Meu filho não estava muito interessado na carreira militar. Era mais como uma oportunidade de começar sua vida, de ter algum tipo de renda estável", relatou a russa.

Segundo a cobertura do portal de notícias BBC, Natalya Deineka é, como muitos outros russos, crítica à guerra, afirmando que não compreende as motivações e a suposta necessidade: "Em nosso país, algumas pessoas não têm o que comer. Não entendo nenhuma guerra ou nenhuma ação militar".

No entanto, a mãe tem feito de tudo para encontrar seu filho em meio ao conflito intenso. Deineka entrou em contato com um oficial da unidade militar de Rafik Rakhmankulov e não recebeu atualizações: “Ele disse que a contra-inteligência verificaria se Rafik foi preso ou não, mas ainda não houve confirmação".

O exército não negou que as fotos sejam verdadeiras, mesmo que a mídia russa tenha as chamado de ‘notícias falsas’, logo é possível que o filho de Natalya esteja preso.

A mãe de Rafik também falou com o Comitê de Mães de Soldados, uma ONG russa, e ainda assim não teve atualizações sobre a situação dele. Diante da falta de respostas, Deineka se incomoda com pessoas que culpam os soldados em si, especialmente em comentários de redes sociais.

"Meu filho não foi para lá por vontade própria. O comandante que o mandou para lá. Para quê? Eu não consigo responder isso. Nós — nem eu nem meu filho — não precisávamos disso. Na porta de quem eu preciso bater para ter meu filho de volta?”.