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Magawa, o rato farejador de minas, morre aos 8 anos

O animal chegou a ser premiado por seu incrível olfato, que o ajudava a identificar bombas terrestres no Camboja

Pamela Malva Publicado em 11/01/2022, às 18h00

Imagem de Magawa
Imagem de Magawa - Divulgação/ Youtube/ Indiatimes

Na tarde desta terça-feira, 11, o Reino Unido recebeu a triste notícia de que o rato africano gigante Magawa faleceu, aos oito anos. Mundialmente reconhecido por farejar minas, o animal se foi "pacificamente" no último final de semana, segundo o G1.

Em comunicado oficial, a APOPO, entidade belga que cuidava de Magawa, afirmou que o ratinho estava saudável, brincando normalmente, até começar a "desacelerar, tirando mais sonecas e demonstrando menos interesse pela comida em seus últimos dias”.

Famoso por seu olfato impecável, Magawa já farejou 39 minas terrestres e 28 itens de munições não detonadas. Com isso, ele tornou-se o HeroRAT (Rato herói, em tradução livre) de maior sucesso da organização — que atualmente conta com 45 ratos farejadores de minas terrestres e 31 detectores de tuberculose na África e na Ásia.

Por sua habilidade, Magawa chegou a receber uma medalha de ouro da organização veterinária britânica PDSA, em 2020. Equivalente à maior honra civil do Reino Unido, o prêmio foi concedido ao animal "por sua bravura salvadora e devoção ao dever" — já que, em serviço, o farejador teria transformado a vida de muitas pessoas no Camboja.

O trabalho de Magawa e da APOPO é verdadeiramente único e notável", narrou Jan McLoughlin, o diretor geral da PDSA. "Magawa salva e muda diretamente a vida de homens, mulheres e crianças que são afetados por essas minas terrestres."

Uma vez premiado, Magawa tornou-se o primeiro rato a receber a condecoração nos 77 anos em que a homenagem tem sido entregue aos animais. Junto dele estão dezenas de cães e gatos — e até um pombo — reconhecidos por sua bravura.

O treinamento de Magawa

Aposentado em junho de 2020, depois de 5 anos de serviço, o ratinho foi treinado pela APOPO na Tanzânia. Por lá, Magawa aprendeu a identificar o composto químico presente nas minas terrestres, a fim de alertar os profissionais que desativavam as bombas.

Apesar de ser bem grande, se considerarmos um rato comum, Magawa era leve o suficiente para não ativar as bombas quando passava por elas. Assim, ele era capaz de farejar uma região do tamanho de uma quadra de tênis em 30 minutos — a mesma atividade, caso realizada por um detector de metais, demoraria cerca de quatro dias.

"Ao contrário dos detectores, os ratos ignoram a sucata e apenas farejam explosivos, tornando-os farejadores rápidos e eficientes", explicou Christophe Cox, da APOPO. "Isso não apenas salva vidas, mas devolve as terras seguras tão necessárias para as comunidades o mais rápido e com o melhor custo-benefício possível.”

Ainda de acordo com o G1, milhões de minas terrestres foram espalhadas pelo Camboja entre os anos de 1975 e 1998. Uma vez ativadas, as bombas causaram a morte de dezenas de milhares de pessoas. Foi então que ratos farejadores como Magawa entraram em cena, a fim de reduzir o perigo apresentado pelos explosivos.

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