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Maias criaram suas próprias mudanças climáticas, o que culminou com a queda da civilização, indica estudo

“Foi a primeira vez que as civilizações humanas tiveram um impacto global no planeta”, afirma um dos pesquisadores

Fabio Previdelli Publicado em 10/10/2019, às 12h14

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- Reprodução

Os agricultores maias desencadearam suas próprias mudanças climáticas, o que pode ter contribuído com a fim do civilização. A hipótese foi levantada por um grupo de pesquisadores da Universidade do Texas, que encontrou evidências em Belize reforçando que o povo da América Central cavou canais e pântanos e fizeram queimadas regulares enquanto cultivavam suas terras.

As recentes descobertas sugerem que os maias tiveram um impacto maior em seu ambiente do que se imaginava anteriormente. A pesquisa indica que eles podem ter colaborado com a a grande seca que gerou o colapso da civilização.

A pesquisa se baseia em uma nova tecnologia que tem revolucionado muitas áreas de estudo, como a arqueologia, que permite cartografar a superfície da selva. Chamado de lídar, um dispositivo dispara bilhões de pulsos de luz laser ao solo e, em seguida, recebe esses pulsos ricocheteados como resposta. 

Imagem da rede de canais e campos conhecida como Pássaros do Paraíso, em Belize / Crédito: Universidade do Texas


A operação foi realizada em 2016, mas os resultados só foram revelados no início dessa semana, em um artigo da revista Proceedings da Academia Nacional de Ciências dos EUA. Com o mapeamento detalhado foi possível estimar que os maias possuíam uma enorme rede de canais de transporte e campos de cultivo, que ocupava uma área de aproximadamente 14 quilômetros quadrados. Por via de comparação, esse espaço equivale a metade do centro urbano de São Paulo.

Os maias ocuparam o sul do México, a Guatemala e o Belize, e tiveram uma densidade populacional equivalente à alguns centros urbanos atuais. “Foi a primeira vez que se demonstra a existência de uma grande extensão de cultivo e transporte dos maias usando imagem laser e confirmando-o com testes arqueológicas e datações no terreno”, relata o pesquisador e coautor da descoberta, Tim Beach.

Eles descobriram uma região de cultivo conhecida como Pássaros do Paraíso, em Belize, que tinha uma rede de 71 quilômetros entrecruzados de canais. Permitindo que os maias passassem de um rio ao outro e pudessem chegar até o mar do Caribe. Próximo da rede, estavam os centros populacionais de Grande Cacau e Akab Muklil.

Com o objetivo de expandir o terreno para cultivo, as queimadas passaram a se tornar cada vez mais comuns e, como consequência, houve um aumento na emissão de dióxido de carbono e de gás metano. Conforme explica Tim Beach: “É o que denominamos de antropoceno primitivo, a primeira vez que as civilizações humanas tiveram um impacto global no planeta.”

Mapa dos territórios habitados pelos maias / Crédito: Wikimedia Commons


“Antes da época industrial, os registros mostram que o maior aumento de metano aconteceu no primeiro milênio de nossa era, justamente na época de máxima expansão dos maias e também de outras culturas pré-colombianas na América do Sul, quando também houve práticas similares de desmatamento para cultivar arroz na China”, concluiu o pesquisador.

Os resultados corroboram com um estudo liderado pela Nasa em 2012, indicando que o desmatamento causado pelos maias foi tão grave que impactou diretamente no clima da região. Segundo os pesquisadores, esse momento de alta expansão dos maias conflui com dois outros fenômenos ambientais: a seca e a elevação do nível do mar.


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