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Maior análise de DNA antigo revela migrações inéditas

Segundo especialistas, movimentos entre Europa e Grã-Bretanha aconteciam “em todo o espectro da sociedade” na Idade do Bronze

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 28/12/2021, às 15h30

Esqueletos antigos encontrados em Kent, na Inglaterra
Esqueletos antigos encontrados em Kent, na Inglaterra - Divulgação / Wessex Archaeology

Durante a Idade do Bronze, a população da região onde atualmente fica a França começou a entrar em contato constante com a da atual Grã-Bretanha. Com isso, foram desenvolvidas rotas de troca e comércio, especialmente de minerais e materiais para a produção do bronze.

Este fenômeno internacional, até este ano de 2021 era considerado pelos especialistas como um exemplo pequeno de migração europeia, adotado somente por alguns comerciantes e pequenos grupos de guerreiros. 

Com base em uma descoberta publicada na última quarta-feira, 22, revelou-se que estas trilhas migratórias entre a Grã-Bretanha e, possivelmente, a França eram bem maiores, inclusive contribuindo para importantes mudanças genéticas nos povos britânicos atuais.

Analisando cerca de 800 indivíduos da Idade do Bronze, na maior análise de DNA antigo já realizada, cientistas descobriram uma conexão fundamental, que não estava restrita a qualquer função ou carreira na época das migrações, ocorrida entre 800 a.C. e 1300 a.C., como explicou o professor da Universidade de York, Ian Armit, via revista Galileu.

Esta nova evidência de DNA mostra que um número considerável de pessoas estava se movendo, em todo o espectro da sociedade”, escreveu em um comunicado oficial.

Segundo a descoberta, os migrantes, que tinham como foco, supostamente, o sudeste do condado inglês de Kent, são responsáveis por mais de metade da ancestralidade genética da população atual desta região, incluindo um gene que permitia a digestão das partículas de lactose e, consequentemente, produtos laticínios.