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Mais antiga evidência de sagrado calendário maia é encontrada na Guatemala

Descoberta se deu no complexo da pirâmide Las Pinturas

Fabio Previdelli Publicado em 18/04/2022, às 10h26

Fragmentos de um calendário sagrado maia
Fragmentos de um calendário sagrado maia - Divulgação/Karl Taube/Proyecto Regional Arqueológico San Bartolo-Xultun

Pesquisadores encontraram as primeiras evidências de um calendário sagrado maia dentro das ruínas de uma pirâmide na Guatemala. Datados entre 2.300 a 2.200 anos atrás, os fragmentos fazem parte de um glifo que representa um dos 260 dias nomeados do calendário maia, chamado de “Sete Cervos”. 

A descoberta se deu no complexo da pirâmide Las Pinturas, no sítio arqueológico San Bartolo, na selva do norte do país, que já vem sendo alvo de estudos nos últimos anos. Em 2001, por exemplo, o local chamou a atenção do mundo após pesquisadores encontrarem uma câmara subterrânea que tinha diversos e complexos murais coloridos que foram datados do primeiro século antes de Cristo. 

Conforme aponta matéria da Phys.org, o complexo da pirâmide Las Pinturas possui uma peculiaridade em sua estrutura: à medida que cada fase do projeto era concluída, partes da antiga fundação eram derrubadas, permanecendo escondidas em seu interior, o que forneceu aos exploradores uma espécie de linha do tempo da construção do complexo, que chegou a atingir cerca de cem metros de altura.

E foi justamente nesse ‘entulho’ que David Stuart, da Universidade do Texas em Austin; Heather Hurst e Boris Beltrán, do Skidmore College; e o estudioso independente William Saturno encontraram o registro maia. O nome “Sete Cervos” se dá por conta de que o registro apresenta o algarismo 7, desenhado na escrita maia, sobre o contorno da cabeça de um cervo. 

Segundo David Stuart, principal autor do estudo publicado na revista Science Advances, os fragmentos são "dois pedaços pequenos de gesso branco que caberiam na mão e que estiveram no passado fixados a uma parede de pedra".

"A parede foi destruída intencionalmente pelos maias antigos quando estavam reconstruindo seus espaços cerimoniais, e acabou se tornando uma pirâmide. Os dois pedaços se encaixam e têm caligrafia pintada em preto, começando com a data 'Sete Cervos'. O resto é difícil de ler”, prossegue. 

As pinturas dessa fase estão todas fortemente fragmentadas, diferentemente das da câmara posterior, mais famosa", completa.