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Mais de 6 mil civis foram mortos por militares da Colômbia entre 2002 e 2008, revela relatório

As execuções aconteceram com a falsa desculpa de que as vítimas eram guerrilheiras

Penélope Coelho Publicado em 19/02/2021, às 13h24

Imagem de militares colombianos em campo de batalha
Imagem de militares colombianos em campo de batalha - Wikimedia Commons

De acordo com informações da agência de notícias AFP, publicadas pelo jornal O Globo, na última quinta-feira, 18, um relatório divulgado pela Jurisdição Especial para a Paz (JEP), da Colômbia, revelou uma situação preocupante no país.

Segundo a reportagem, pelo menos 6.400 civis foram assassinados por militares colombianos entre os anos de 2002 e 2008, na ocasião, as vítimas eram apresentadas como mortos em combate.

Atualmente, o tribunal da paz investiga os delitos e crimes cometidos entre o governo do país e as antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Sabe-se que as exclusões extrajudiciais, ou, ‘falsos positivos’, ocorrem desde a década de 1990 em solo colombiano.

As mortes acontecem sobre o falso pretexto de que os executados são guerrilheiros em batalha e não pessoas comuns. A prática ficou ainda pior durante o governo do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez.

Em entrevista à AFP, a mãe de uma das pessoas mortas em 2008, que pediu o andamento das investigações sobre o caso, fez um relato emocionante sobre o ocorrido: “Estamos tristes que o Exército, que é aquele que tem que cuidar de nós, tenha deixado tantas mães chorando, tantos órfãos, tantas irmãs tristes”, disse Blanca Monroy.

Sabe-se que na última quinta-feira, o grupo que comandou as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia no período citado acima, assumiu a responsabilidade pelos crimes de guerra.

“Reconhecemos que neste processo foram apresentados fatos e condutas puníveis à luz do Direito Internacional Humanitário. Fatos e condutas que foram individual e coletivamente reconhecidos perante o JEP, a sociedade em geral e nas atividades com as vítimas”, revela o comunicado que teve a assinatura de seis ex-comandantes da FARC.