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Malcolm McDowell, de ‘Laranja Mecânica’, classifica as gravações do longa de Kubrick como 'tortura'

Em entrevista recente, o protagonista da obra cinematográfica revelou que sentiu-se 'totalmente exausto' ao final das filmagens

Pamela Malva Publicado em 02/10/2021, às 10h00

Clássica imagem do longa 'Laranja Mecânica', de 1971
Clássica imagem do longa 'Laranja Mecânica', de 1971 - Divulgação/ Warner Bros. Pictures

Em meados de 1971, o ator britânico Malcolm McDowell interpretou o icônico Alex DeLarge no longa ‘Laranja Mecânica’, de Stanley Kubrick. Em entrevista recente, contudo, ele revelou detalhes bastante sórdidos sobre os bastidores da obra.

Aos 78 anos, o artista afirmou, em entrevista ao site da NME, que sentiu um enorme desgaste físico e emocional ao final das filmagens do clássico cinematográfico. Além disso, McDowell ainda classificou o método de gravação de Kubrick como “tortura”.

Talvez uma das mais emblemáticas da história do cinema, a cena da lavagem cerebral realizada em Alex durante o filme também foi uma das que mais marcou McDowell. Nesse sentido, o ator lembrou de sentir-se apavorado quando descobriu que, para realizar o take, Kubrick queria que ele realmente passasse pelo procedimento.

“[Kubrick] me mostrou uma foto desse procedimento e perguntei, ‘Ah, é? Caramba’. Aí ele disse: ‘o que você acha?’. ‘Como assim o que eu acho? É um procedimento’. E aí ele explicou: ‘eu gostaria que você fizesse isso’. ‘Como assim? Sem chance. Não, não, não’. Mas ele já tinha contratado um oftalmologista para me convencer”, revelou Malcolm.

Aí esse cara veio, ele interpretou o médico no filme: ‘Você não vai sentir nada, seus olhos vão estar anestesiados’. São aquelas famosas últimas palavras”, narrou. “E ele não foi exatamente sincero. Então eles mexeram nas minhas córneas.”

Dessa forma, toda a angústia sofrida pelo personagem durante a cena também foi experienciada pelo próprio ator no momento em que o take era gravado.

A embremática cena do longa / Crédito: Divulgação/ Warner Bros. Pictures

 

O problema é que, ainda de acordo com McDowell, Kubrick quis refazer a cena logo em seguida. “Uma semana depois, o Kubrick me diz: ‘vi tudo, ficou ótimo, mas vou precisar de um close no seu olho’”, contou o ator. “Perguntei para ele: ‘Bem, por que você não usa o dublê? É para isso que ele foi pago’”, questionou o protagonista.

Em resposta, o diretor teria afirmado que, por se tratarem dos olhos do ator, não seria possível utilizar um dublê. “Então fui lá e voltei! Claro, mexeram na minha córnea outra vez, não foi como antes, mas eu sabia como seria. Foi tortura porque eu sabia o que esperar… Mas enfim, valeu à pena”, narrou McDowell.

Ao final das gravações do longa, que ainda conta com cenas de estupro, Malcolm lembra de sentir-se “totalmente exausto, emocionalmente e fisicamente”. “Peguei o carro e dirigi pelo interior por umas três ou quatro semanas”, revelou. O ator, inclusive, criou certa aversão ao filme depois de seu lançamento.

“Nos primeiros 10 anos [após a estreia] eu me arrependi”, contou. “Eu fiquei cansado [do filme]. Eu não queria falar sobre essa p***a, eu estava cansado. Eu falava: ‘olha, eu sou um ator, vivi esse personagem ótimo, quero seguir com a vida’. Então concluí que era uma obra prima e eu era parte fundamental dela. Aí apenas aceitei e curti”, finalizou.