Notícias » Pleistoceno

Mamutes lanosos e neandertais compartilhavam traços de DNA

Nova pesquisa descobriu que genes de adaptação a ambientes frios eram compartilhadas entre os dois mamíferos

Joseane Pereira Publicado em 11/04/2019, às 10h03

None
Reprodução

Estudos realizados por pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, identificaram similaridades genéticas entre neandertais e mamutes-lanosos. Barkai e Meidad Kislev, do Departamento de Arqueologia, mostraram que estruturas similares de DNA possibilitaram que as duas espécies sobrevivessem ao ambiente frio da Europa do Pleistoceno.

Enquanto os mamutes-lanosos evoluíram no continente Africano antes de migrarem para a Europa, o homo neanderthalensis teria se desenvolvido completamente em ambiente europeu. Entretanto, a chegada dos mamutes ao ambiente frio teriam modificado seus genes, ao mesmo tempo em que os neandertais se adaptavam às novas condições. Analisando genes de ambas as espécies, os pesquisadores encontraram evidências de DNA que regula a produção de calor, armazenamento de gordura e crescimento de pelos, o que significa que durante os processos evolutivos as duas espécies teriam estado em contato sob o mesmo ambiente, o que gerou semelhanças genéticas. Segundo Barkai, "as evidências sugerem que os neandertais caçaram e comeram mamutes por dezenas de milhares de anos e eram fisicamente dependentes de calorias extraídas de mamutes para sua adaptação bem-sucedida."

"Dizem que você é o que você come. Isso foi especialmente verdadeiro para os neandertais; eles comiam mamutes, e eram geneticamente semelhantes aos mamutes. Essa ideia sozinha abre caminhos infinitos para novas pesquisas em evolução, arqueologia e outras disciplinas", explica o pesquisador.

Mamute-lanoso / Wikimedia Commons

Em seus estudos, os cientistas descobriram que o gene LEPR, responsável pela termogênese, regulação do tecido adiposo e armazenamento de gordura pelo corpo, estava presente em ambos os mamíferos. Além desse, outros genes também seriam compartilhados. Isso reforça um novo campo da Biologia denominado "epigenética", que afirma que certos genes são ligados ou desligados de acordo com alterações ambientais - mudanças genéticas que podem ser transmitidas de geração em geração.

O professor Barkai acrescenta: "Numa época em que os proboscídeos estão sob ameaça de desaparecimento devido à ganância humana pelo marfim, destacar a semelhança entre hominídeos e mamutes é um ponto a ser levardo em consideração."