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Notícias / Aborto

'Me senti um nada', relata mãe de menina de 11 anos vítima de estupro

Mãe de garota de 11 anos estuprada criticou juíza que induziu garota a desistir do aborto

Redação Publicado em 27/06/2022, às 19h48

Depoimento mãe de menina de 11 anos - Divulgação/Youtube/Migalhas
Depoimento mãe de menina de 11 anos - Divulgação/Youtube/Migalhas

Durante exibição do programa 'Fantástico', mãe de menina de 11 anos que foi estuprada em Santa Catarina, critica atitude da juíza Joana Ribeiro Zimmer, por ter induzido a criança a desistir do aborto. O programa foi exibido neste domingo, 26.

A juíza Joana Ribeiro Zimmer e a promotora Mirela Dutra Alberton, do Ministério Público de Santa Catarina, tentaram convencer a garota a continuar com a gravidez, em uma audiência realizada em maio.

"Se eles queriam preservar tanto a minha filha, era algo que não deveria ter sido perguntado para ela. Acho que eu deveria responder por ela, não ela", disse na entrevista.

Elas tentaram induzir que a menina de 11 anos esperasse "uma ou duas semanas" para a aumentar chance de sobrevida do feto. Além disso, a juíza teria perguntado à vítima se ela "suportaria mais um pouquinho". As informações são do The Intercept Brasil.

"Eu deveria responder por ela [durante a audiência], é uma criança imatura. Me senti um nada porque não podia tomar a decisão pela vida da minha filha, chorei, me desesperei, gritei dentro do fórum. Até me chamaram de desequilibrada", disse a mãe ao Fantástico. Além disso, a garota foi encaminhada para um abrigo , onde permaneceu por um mês.  

“Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Todos os dias eu chorava. Todos os dias eu olhava para a minha casa e não via a minha filha, então, para mim, isso era muito difícil. Quando eu ia, e eu ia visitar ela sempre, ela chorava e pedia para ir para casa. Isso foi uma das partes mais difíceis na hora de ir embora, eu ter que deixá-la, não poder ter um controle sobre a vida da minha filha. Ela pedia para mim: ‘Mãe, eu quero ir para casa. Mãe, eu quero ir para casa’, e eu ter que falar para ela: ‘Filha, agora a mãe não pode fazer nada’. Isso doía muito. Doía, e, quando eu chegava em casa, eu chorava mais ainda por não poder tomar uma posição na vida da minha filha", contou.

A garota que havia descoberto a gravidez na 22º semana, não conseguiu realizar o aborto legalmente, porque o hospital ao qual se dirigiu, se negou a realizar o procedimento, informando que só o faria caso a gestação estivesse na 20º semana. Segundo o MPF,  garota conseguiu realizar o aborto durante a semana passada.

Interrupção da gravidez

O MPF anunciou que a garota de 11 anos, vítima de estupro, realizou o aborto na quarta-feira, 22. O procedimento foi realizado independente de autorização judicial, idade e tamanho do feto, permitindo a realização do procedimento nos casos autorizados por lei, conforme instruções do Ministério Público Federal ao hospital.

"[O hospital] comunicou à Procuradoria da República, no prazo estabelecido, que foi procurado pela paciente e sua representante legal e adotou as providências para a interrupção da gestação da menor", segundo comunicado do MPF.