Megalodon, o super-tubarão, inspirou mito maia

O monstro Sipak era uma bizarra interpretação de seus fósseis

Redação AH Publicado em 16/12/2016, às 09h02 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

O monstro caçando baleias
Caren Karr
Quem gosta de monstros pré-históricos - ou filmes C - sabe quem ele é. O Megalodon foi um tubarão com, dependendo do cientista ao qual você perguntar, 25 metros de comprimento  e mais de 100 toneladas (outros o situam em "modestos" 18 metros). Ele vivia de comer baleias, e provavelmente não se interessaria em engolir nadadores ou tanques de ar comprimido. Viveu há meros 2,6 milhões de anos, quando nossos ancestrais já batiam uma pedrinha na outra na savana africana. 

Cientistas posando em sua reconstrução da boca do Megalodon / Wikimedia Commons

Um estudo da James Madison University (EUA) indica que o monstro já vem deixando sua marca no imaginário humano há muitos séculos. Como ele não viveu há tanto tempo assim, é relativamente fácil achar seus dentes, que medem até 19 cm de comprimento, 3 vezes mais que os dos maiores tubarões brancos. 

Diante desse pavoroso achado, os povos tinham que se virar para criar uma explicação. Os maias usavam os dentes de Megalodon em seus templos e tinham em seus mitos uma criatura chamada Sipak, um monstro com uma cauda bifurcada, mandíbulas serrilhadas e um único dente grande na frente. Segundo o estudo, a criatura foi inspirada nos mega-dentes. 


Sipak / Crédito: Sarah Newman

Em outras palavras, o Megalodon era tão grande que não podia caber em seu entendimento de mundo. Os maias preferiram que imaginar, de forma otimista, algo com o tamanho de um tubarão normal. De maneira protocientífica. "Nosso argumento no estudo é que os maias estavam criando uma versão de nossas próprias ideias sobre história natural", afirma Sarah Newman, condutora do estudo. "Estavam combinando evidências físicas que encontravam com mitos que eles também consideravam reais, entendendo o mundo dessa maneira."