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Menina ianomâmi morre após ser estuprada por garimpeiros, diz liderança

Crime ocorreu em Roraima, na região de Waikás

Redação Publicado em 27/04/2022, às 08h42

Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana
Júnior Hekurari Yanomami, presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana - Divulgação / G1

Uma menina de 12 anos pertencente ao povo Yanomami morreu após ser violentada por garimpeiros na comunidade em que vivia, na região de Waikás, em Roraima. A informação foi divulgada pelo presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye'kwana (Condisi-YY), Júnior Hekurari Yanomami.

O presidente, que também integra uma liderança indígena, revelou em vídeo divulgado nas redes sociais, que uma segunda criança, de apenas 3 anos, desapareceu após cair no rio Uraricoera. De acordo com o portal de notícias g1, relatos apontam que o crime ocorreu na comunidade Aracaçá.

"A adolescente estava sozinha na comunidade e os garimpeiros chegaram, atacaram e levaram ela para as barracas deles. A tia dela defendeu [a sobrinha]. Quando estava defendendo, os garimpeiros empurram ela em direção ao rio junto com a criança", disse Junior no vídeo.

"Essa criança se soltou no meio do rio, acho que estava em um barco. Eles invadiram e levaram [a menina] para o barraco dos garimpeiros e a violentaram brutalmente, estupraram essa adolescente. Moradores de lá me disseram que ela morreu. Então, é muito triste, muito triste mesmo", contou.

Segundo Júnior, a Polícia Federal (PF) e o Exército foram informados sobre o ocorrido na noite da última segunda-feira, 25.

Caso deverá ser apurado

Na manhã da última terça-feira, 26, Hekurari enviou um ofício relatando o crime para o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e também para o Ministério Público Federal (MPF). O texto pede que o ocorrido seja apurado.

Em nota, o MPF comunicou que "busca junto às instituições competentes a apuração do caso e acredita que situações como essa são consequência cada vez mais frequente do garimpo ilegal em terras indígenas em Roraima".