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Menino de 7 anos entra para ‘clube dos gênios’ brasileiros

Com 138 pontos de QI desvio padrão 15, o que equivale a 99 de percentil, Romeu Gutvilen, já é um dos melhores jogadores de xadrez do país

Fabio Previdelli Publicado em 31/01/2022, às 14h55

Romeu ao lado da mãe, Rachel
Romeu ao lado da mãe, Rachel - Divulgação/ MF Press Global

Em novembro do ano passado, a equipe do site do Aventuras na História noticiou que o jovem Gustavo Saldanha, de 8 anos, havia entrado para o ‘clube dos gênios'. À época, Gustavo se tornou o brasileiro mais novo a entrar na Mensa International — uma associação formada por pessoas com alto quociente de inteligência (QI).

À época, a família de Gustavo foi orientada a submeter a candidatura do filho para a Mensa Internacional visto que a Mensa Brasil não aceitava candidatos com menos de 13 anos, pois a entidade não dispunha de um programa de atendimento voltado à infância. Mas a situação mudou por conta de Romeu Gutvilen, de 7 anos, que recebeu sua aprovação em dezembro do mesmo ano.

Romeu ao lado da mãe, Rachel/ Crédito: Divulgação/ MF Press Global

A recente aceitação no Mensa Brasil — associação com sede na Inglaterra que reúne pessoas acima de 98 de percentil —, no entanto, é só mais um dos feitos do jovem. Apaixonado por xadrez, matemática e piano, Gutvilen é tido como uma criança diferenciada por seu domínio sobre estas práticas. 

Para chegar até lá, Romeu e sua mãe, Rachel Gutvilen, correram atrás de testes e informações que confirmassem a superdotação do garoto. Carioca, professora de educação infantil, empreendedora e dançarina, a ex-bailarina do Faustão teve que se desdobrar para cuidar de Romeu, visto que ela é uma mãe solo. 

Um dos passos decisivos foi quando o menino passou por uma avaliação da neuropsicóloga Roselene Espírito Santo Wagner, especialista em testes de inteligência, que confirmou que Gutvilen é realmente uma criança superdotada. 

Em seguida, Rachel procurou o Doutor em neurociências Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues, também membro da Mensa Internacional, da Intertel — que só aceita pessoas acima de 99 de percentil — e da rara Triple Nine Society, essa a mais restrita do mundo aceitando apenas pessoas com 99.9 de percentil que é o máximo que se pode alcançar. 

O neurocientista Fabiano de Abreu/ Crédito: Divulgação/ MF Press Global

Neurocientista e assessor, Fabiano explica que "Romeu tem 138 pontos desvio padrão 15, 99,43 de percentil. Gosto mais de falar em percentil, já que há diferentes testes com diferentes cálculos.” 

Romeu já recebeu 100% da bolsa de estudos no Rio de Janeiro em uma escola forte, puxada como se diz, também promessa de bolsa na Logos University International nos Estados Unidos. Com o tempo ele vai conseguir muitas outras coisas, inclusive bolsas em outras instituições. Trabalhamos para isso”, completa. 

Neuropsicóloga responsável pela aplicação de mais de 150 testes de inteligência, Leninha Wagner, como é conhecida, explica como conheceu o garoto: “Em meados de 2019, ele foi levado ao meu consultório. A mãe estava preocupada, pois o filho só se sentia feliz diante de números, cálculos, desafios mentais”. 

“Com tão pouca idade, quatro anos e meio, Romeu me surpreendeu no resultado de sua neuroavaliação, submetido a entrevista, anamnese, testes projetivos, testes não verbais, matricial, CPM RAVEN- Matrizes Progressivas Coloridas, com resultado em percentil de 99, com habilidades sociais bem desenvolvidas, maturidade emocional para além da idade cronológica, resultados tão positivos para tão tenra idade me causaram um forte impacto”, conta. 

Leninha diz, então, que o menino foi encaminhado para outros profissionais, com o intuito de confirmar esses resultados. “Para mim, é uma honra ter participado dessa trajetória”. 

Leninha Wagner, especialista em testes de inteligência/ Crédito: Divulgação/ MF Press Global

Além deles, uma outra pessoa ajudou muito também na formação de Romeu: “Encontrei o Tio Fábio [professor Fábio Gomes de Castro] na internet e ele entendeu a mente do meu filho fazendo o que ele mais gostava: desafios”, destaca Rachel.

Quando tinha apenas 2 anos de idade, Romeu já apresentava sinais da sua inteligência ao conhecer o alfabeto. Aos 4, já sabia ler textos grandes e compreendê-los também. O desenvolvimento surpreendente foi confirmado em seu teste de QI, o resultado: 138 com percentil 99. Apaixonado por matemática, sempre demonstrou paixão pelos números.

Em julho do ano passado, a descoberta de uma nova paixão: o xadrez. Rachel revela como descobriu este talento do filho: “O professor comentou que jogava xadrez e perguntei se ele poderia dar algumas aulas. Romeu aprendeu tão facilmente que em quatro meses começou a ganhar do mestre e hoje disputa vários torneios, inclusive contra adversários mais velhos que ele”, completa.