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Metais pesados tornam Rio Paraopeba impróprio para o consumo e vida aquática após tragédia de Brumadinho

Em um mês de contaminação, o primeiro estudo aponta as graves consequências do rompimento da barragem da Vale

Alana Sousa Publicado em 01/03/2019, às 14h00

Brumadinho após o rompimento da barragem
Brumadinho após o rompimento da barragem - Reprodução

A tragédia de Brumadinho, que aconteceu em 25 de janeiro deste ano, parou o país. Até agora famílias esperam a identificação de corpos, e lidam com o luto de ter perdido suas casas e família. Um mês após o crime ambiental, a Fundação SOS Mata Atlânticaapresentou na última quarta-feira, 27, o primeiro relatório completo da expedição pelo Rio Paraopeba, um dos mais afetados na região.

A expedição, que durou 10 dias, começou a ser feita após o rompimento da barragem da Vale e percorreu cerca de 2 mil quilômetros, passando por 21 cidades e os 305 km do Paraopeba. O objetivo do estudo é analisar os impactos gerados pelo rompimento.

No total, foram analisados 21 municípios ribeirinhos de Minas Gerais e o Reservatório de Retiro Baixo. Dos 22 pontos analisados, 10 foram considerados ruins e 12 péssimos, baseado na classificação do Índice de Qualidade da Água (IQA), tornando esses locais impossíveis de servirem para consumo ou abrigar vida aquática.

Os pesquisadores encontraram níveis alarmantes de metais pesados, como o cobre, cromo e o manganês. Se a população ingerir a água contaminada, as consequências podem incluir rigidez muscular, tremores das mãos, fraqueza, náuseas e vômitos.

A vegetação também foi bastante afetada com o rompimento da barragem. Brumadinho possuía 15.490 hectares da Mata Atlântica bem preservados. Pesquisadores afirmam que 112 hectares de florestas nativas foram totalmente devastadas.

A partir de agora, a SOS Mata Atlântica diz que “a necessidade de ampliação do saneamento básico dos municípios deve ser prioridade das autoridades”. Até o momento, 179 mortes foram confirmadas e 131 pessoas continuam desaparecidas.