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México investiga casos de mulheres que teriam sido esterilizadas nos EUA

Autoridades averiguam as alegações de que seis mexicanas foram violadas enquanto permaneciam em um centro de detenção de imigrantes nos EUA. Entenda o caso!

Penélope Coelho Publicado em 23/09/2020, às 13h14

Imagem ilustrativa de bandeira do México
Imagem ilustrativa de bandeira do México - Pixabay

De acordo com informações publicadas pela BBC, nesta quarta-feira, 23, o governo mexicano anunciou que está investigando o caso de pelo menos seis mulheres do México que teriam sido esterilizadas sem autorização, enquanto estavam em um centro de detenção para imigrantes, na Geórgia, Estados Unidos.

"Já temos contato com seis (mexicanas) que poderiam ter sido submetidos a este tipo de procedimento. É algo inaceitável que rejeitamos antecipadamente", afirmou o ministro das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard, durante conferência na última realizada terça-feira, 22.

“Se confirmado, é um grande problema e medidas devem ser tomadas", frisou o ministro. Ainda de acordo com Ebrard, um alerta foi declarado no país. Autoridades do governo norte-americano, por sua vez, afirmaram que estão levando as acusações a sério.

O caso

Na semana passada, uma denunciante identificada como Dawn Wooten — que trabalhava como enfermeira no centro de detenção, realizou uma denúncia informando que ao menos 17 mulheres haviam passado por um processo de esterilização sem consentimento, que incluía inclusive a retirada de seus órgãos reprodutivos.

As mulheres em questão seriam imigrantes detidas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) e foram forçadas a se submeteram aos procedimentos. A denúncia conta com o apoio da ONG Project South, localizada na Geórgia, que informou que o número de histerectomias realizadas em mulheres que falavam a língua espanhola é alto.

Além disso, a denúncia também relata uma “negligência médica chocante” em meio à pandemia do novo coronavírus, de acordo com o relato de Wooten, os médicos se recusaram a realizar testes e identificar os sintomas nos detidos.

Em declaração publicada pelo jornal The New York Times, a Doutora Ada Rivera, conhecida por ser a diretora de serviços de saúde do ICE, informou que "contesta veementemente a implicação de que os detidos são usados ​​para procedimentos médicos experimentais". Segundo ela, somente duas mulheres foram encaminhadas par a realização de procedimentos de esterilização desde 2018.

A situação de quem tenta cruzar a fronteira com os Estados Unidos, ou, quem vive no país ilegalmente está sujeita à detenção pelas autoridades norte-americanas, para serem enviados aos centros do ICE.