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Notícias / Miep Gies

Miep Gies, a mulher que escondeu Anne Frank dos nazistas

Nascida na Áustria, Miep Gies teve um papel importantíssimo na vida de Anne Frank e sua família

por Giovanna Gomes

ggomes@caras.com.br

Publicado em 03/05/2023, às 18h07 - Atualizado em 12/06/2024, às 13h30

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À esquerda, fotografia de Miep; à direita, a jovem Anne Frank - Divulgação / Casa de Anne Frank e Reprodução/site/Miep Gies
À esquerda, fotografia de Miep; à direita, a jovem Anne Frank - Divulgação / Casa de Anne Frank e Reprodução/site/Miep Gies

O National Geographic lançou, no ano passado, a minissérie ‘A Small Light’. A produção, que está disponível no Disney+, conta a história real de Miep Gies (Bel Powley), que ficou conhecida por ajudar famílias judias durante o período do Holocausto, incluindo Anne Frank, seus pais e a sua irmã.

Também é importante destacar que Gies teve um papel fundamental na preservação dos escritos de Anne, já que, logo após a prisão dos moradores do Anexo, Miep guardou o diário da jovem, evitando que caísse nas mãos dos nazistas. Ela faleceu em 2010, aos 100 anos de idade.

Primeiros anos

Nascida em Viena, Áustria, em 15 de fevereiro de 1909 como Hermine Santrouschitz, Miep cresceu em uma família católica com poucos recursos.

Como a comida era escassa após a Primeira Guerra Mundial, ela chegou a sofrer de desnutrição. Por esse motivo, sua família decidiu inscrevê-la em um projeto de ajuda para crianças austríacas.

Assim, em dezembro de 1920, aos 11 anos, a menina foi enviada de trem para a Holanda, onde poderia se recuperar e ter uma vida mais saudável.

Victor Kugler, Esther, Bep Voskuijl, Pine Wuurman e Miep Gies, funcionários de Otto / Crédito: Divulgação / Casa de Anne Frank

Casamento e família Frank

Em seu primeiro emprego, Miep conheceu Jan Gies, com quem viria a se casar em 16 de julho de 1941, de acordo com o site do museu Casa de Anne Frank. Na época, Jan trabalhava como assistente social nos Serviços Sociais do município de Amsterdã.

Certo dia, Otto Frank ligou para Miep, que a esta altura trabalhava em seu escritório, e contou-lhe sobre seus planos de se esconder com sua família. Ele perguntou se Miep estaria disposta a ajudá-los a se esconder no Anexo Secreto, caso fosse necessário. Miep não hesitou e se comprometeu a ajudar a família Frank.

Tempos depois, em 5 de julho de 1942, Margot, a irmã mais velha de Anne, recebeu uma notificação exigindo que se dirigisse a um campo de concentração. Foi a partir desse acontecimento que Otto e Edith Frank decidiram chamar Miep e Jan para que pudessem se dirigir até o esconderijo.

Mais tarde, juntaram-se aos Frank no Anexo a família Van Pels e Fritz Pfeffer. Além disso, a partir de maio de 1943, o casal Miep e Jan Gies passou a esconder em sua própria residência o estudante de 23 anos Kuno van der Horst, quem havia se recusado a assinar uma declaração de lealdade aos nazistas.

Jan e Miep Gies com seu filho Paul e Otto Frank, em 1951 / Crédito: Divulgação / Casa de Anne Frank

Segredo é descoberto

Na manhã de 4 de agosto de 1944, uma sexta-feira, policiais holandeses liderados pelo SS-Hauptscharführer Karl Josef Silberbauer invadiram de forma inesperada o número 263 da Prinsengracht. Na ocasião, os oficiais prenderam as oito pessoas que estavam escondidas no local, bem como seus ajudantes Johannes Kleiman e Victor Kugler.

Algum tempo depois, Miep e Bep, que também trabalhava no local, foram ao Anexo Secreto com a intenção de recuperar alguns pertences pessoais das pessoas escondidas. Quando chegaram lá, encontraram os cadernos e papéis de Anne espalhados pelo chão. A dupla pegou tudo e, posteriormente, Miep decidiu guardar os papéis em uma gaveta de sua mesa, na esperança de um dia poder devolvê-los à menina.

Última tentativa

De acordo com o site do museu Casa de Anne Frank, após o ocorrido, a austríaca tentou desesperadamente libertar as pessoas presas, arriscando sua própria vida ao entrar na sede do Sicherheitsdienst. Infelizmente, não teve sucesso.

Miep Gies em 1992 / Crédito: Divulgação / Casa de Anne Frank

Algumas semanas depois, Johannes Kleiman foi libertado, o que trouxe um grande alívio para aqueles que ficaram para trás na Prinsengracht. Miep e os outros ajudantes continuaram mantendo o negócio em funcionamento, na expectativa de que as oito pessoas do Anexo Secreto voltassem em breve.

Em 5 de maio de 1945, a Holanda finalmente voltou a ser um país livre e, em meados de junho, Otto Frank apareceu na porta de Jan e Miep. Quando ficou claro, em meados de julho de 1945, que Anne havia morrido no campo de concentração de Bergen-Belsen, Miep decidiu entregar os documentos do diário a Otto. Em 1947, o livro foi publicado.

Após a guerra

Por anos após a guerra, a mulher se dedicou ao legado de Anne. Ela frequentemente compartilhava com os alunos suas histórias sobre o Anexo Secreto e Anne. Na década de 1990, escreveu suas memórias com a ajuda da escritora Alison Leslie Gold.

Miep e Jan Gies celebravam todos os anos, no dia 4 de agosto, a memória dos amigos que perderam e, apesar do triste fim, Miep percebeu que eles haviam feito tudo o que estava ao seu alcance.

Naquele tempo sombrio da guerra, não ficamos à margem, mas estendemos as mãos para ajudar os outros. Arriscando a própria vida. Não podíamos ter feito mais."