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Minas terrestres de antigas guerras podem ser localizadas por novas bactérias, diz estudo

Segundo os cientistas, a ideia é usar os organismos modificados com biossensores que brilham na presença dos dispositivos

Pamela Malva Publicado em 22/06/2021, às 12h00

Imagem meramente ilustrativa de teste tem laboratório
Imagem meramente ilustrativa de teste tem laboratório - Divulgação/ Pixabay/ mwooten

Algumas das heranças mais resistentes de guerras que já acabaram, ou que continuam em curso, são as temidas minas terrestres. No total, segundo a Superinteressante, estima-se que existam cerca de 110 milhões dessas bombas espalhadas em 60 países ao redor do mundo ainda hoje, muitas delas datadas de conflitos antigos.

Para equipes de desarmamento de explosivos, as minas terrestres apresentam um grande índice de risco, já que podem ficar escondidas e ativas por décadas. Além da desativação cara e complexa, localizar as bombas também é um processo demorado.

Foi pensando nisso que cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém desenvolveram, ainda de acordo com a Superinteressante, uma forma de encontrar as minas, através de bactérias modificadas que brilham na presença dos dispositivos.

Segundo explicou o microbiologista Shimshon Belkin, em entrevista ao The New York Times, a equipe estuda a bactéria E. coli há décadas, em busca de biossensores capazes de revelar as minas terrestres. Os resultados da pesquisa, então, foram publicados nas revistas Current Research in Biotechnology and Microbial Biotechnology.

Antes da nova tecnologia, os especialistas tinham de contar com detectores de metais, ou de outros animais treinados para identificar as bombas. Esse era o caso de um ratinho que aposentou recentemente, depois de localizar 71 minas terrestres.

Imagem das bactérias em ação / Crédito: Divulgação/ A. Lifshitz/ Universidade Hebraica de Jerusalém

 

A tecnologia

A ideia, de acordo com o especialista, era transformar os seres microscópicos em uma espécie de vagalume, que brilha na presença de componentes das minas. Tudo isso com a ajuda dos genes de bactérias marinhas que se iluminam naturalmente nos oceanos. 

Foi assim que os pesquisadores conseguiram, através da engenharia genética, trabalhar com dois fatores do código genético das E. coli: os chamados ‘promotores’, que denunciam uma substância química presente nas bombas; e os ‘relatores’, que fazem a bactéria brilhar quando entra em contato com o componente explosivo.

Agora, o desafio é adaptar a nova tecnologia para os campos onde ela poderia ser aplicada. Acontece que, além do brilho fraco e difícil de detectar a olho nú, as bactérias funcionam melhor em temperaturas entre 15 e 37 °C — o que dificultaria sua aplicação em campos no Oriente Médio, que registram temperaturas mais altas, por exemplo.

Uma vez que os obstáculos forem solucionados, os cientistas esperam que as bactérias, misturadas em uma solução gelatinosa, possam ser despejadas em campos minados para facilitar o processo de localização dos dispositivos. Nesse sentido, cada gota da substância contaria com cerca de 150 mil células prontas para denunciar as minas.