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Mineradora Vale e Governo de Minas Gerais assinam acordo em reparação de danos a Brumadinho

O desastre ambiental, que aconteceu há dois anos, deixou 270 vítimas e destruiu a cidade mineira

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 04/02/2021, às 16h42

Deslizamento das barragens da Vale, em Brumadinho
Deslizamento das barragens da Vale, em Brumadinho - Getty Images

O governo de Minas Gerais e a Vale assinaram hoje (4), em audiência que ocorreu no período da manhã, um acordo bilionário com o objetivo de reparar os danos causados à cidade de Brumadinho e às vítimas da tragédia, que marcou a data de 25 de janeiro de 2019.

Como noticiado pelo G1, foram quatro meses de negociações e 200 horas de reuniões para fechar um acordo. O valor assinado em termo, que deverá ser pago pela mineradora, é o de mais de R$ 37 bilhões - exatamente R$ 37.689.767.329,00.

A reunião de hoje contou com a presença de representantes do governo mineiro, da Vale, do Tribunal de Justiça, da Defensoria, do Ministério Público do Estado de Minas Gerais e do Ministério Público Federal.

Antes mesmo do início da audiência, manifestantes e familiares das vítimas do deslizamento já estavam à porta do tribunal em protesto. Eles reclamavam por não terem participado da construção do acordo ao longo dos meses, e também por não serem ouvidos. 

“É um acordo ilegítimo, nós vamos recorrer ao Supremo Tribunal Federal. Vamos considerar ele como uma primeira parcela em relação aos direitos dos atingidos”, contou Joceli Andrioli, membro da coordenação nacional do Movimento de Atingidos por Barragens, em entrevista a TV Globo.

Homenagem às vítimas na cidade de Brumadinho, um ano depois da tragédia. Crédito: Getty Images

 

Há dois anos, a tragédia de Brumadinho matou 270 pessoas, entre moradores e visitantes da região e funcionários da Vale. Até hoje, os bombeiros - considerados heróis pelo trabalho de busca e resgate - continuam procurando 11 vítimas desaparecidas.

Entre outros pontos, a quantia de reparação será usada para: construção de um rodoanel, reforma de hospitais da rede pública e de escolas estaduais das 28 cidades contaminadas pelas barragens, e a indenização para os sobreviventes e familiares das vítimas durante 4 anos.

O governo de Minas Gerais havia pedido inicialmente R$ 55 bilhões no acordo. Segundo o Executivo estadual, o acordo da Vale é o maior da história, sendo que o anterior beirava os R$ 7 milhões.

Durante a audiência, o governador Romeu Zema, do Partido Novo, destacou a importância do acordo. “Não podemos mudar o passado, que muitas vezes foi triste e trágico, mas podemos fazer um futuro melhor, e é exatamente isso que nós estamos concretizando neste momento”, disse o político.

E completou: “É um acordo inédito em muitos pontos. Nunca no Brasil se fez um acordo dessa magnitude. Iniciamos agora um novo desafio de darmos início a essas obras".