Notícias » Rússia

Misteriosa cabeça humana de argila, com crânio de carneiro dentro, é estudada na Rússia

A oculta peça de 2 mil anos vem intrigando pesquisadores há pelo menos meio século e apenas recentemente passou a ser alvo de investigação

Isabela Barreiros Publicado em 14/04/2020, às 14h51

A cabeça feita de argila de 2 mil anos
A cabeça feita de argila de 2 mil anos - Vyacheslav Porosev

Na república russa de Cacássia, em 1968, o professor e pesquisador Anatoly Martynov fez uma descoberta insólita. Uma misteriosa cabeça humana feita de argila foi encontrada na região, objeto que deu início a questionamentos que perduram até os dias de hoje. Na época, Martynov disse que "existem ossos do crânio e um pequeno espaço oco, que, no entanto, não corresponde ao tamanho interno do crânio humano, mas é muito menor".

A tecnologia do período não permitia que a investigação fosse muito à fundo. O raio x utilizado indicou que algo incomum estava dentro da cabeça de 2 mil anos, mas não foi possível descobrir mais, porque abrir o raro artefato poderia quebra-lo.

Crédito: Vyacheslav Porosev

 

Décadas depois, arqueólogos persistiram na análise e conseguiram, finalmente, observar que o que havia dentro da peça de argila era, na verdade, um crânio de carneiro — nada de humano, como era esperado. A informação, no entanto, não serviu como conclusão para o mistério: os pesquisadores ficaram intrigados e passaram a desenvolver hipóteses.

Em um novo estudo publicado na revista científica Science First Hand, Natalya Polosmak, do Instituto de Arqueologia e Etnografia, e Konstantin Kuper, do Instituto de Física Nuclear, elaboraram possíveis explicações para o crânio do animal ter sido colocado no objeto.

A primeira tese é que alguém “pode ter enterrado dessa maneira extraordinária um homem cujo corpo não havia sido encontrado”. Por isso, ele foi "substituído pelo seu duplo — o animal em que sua alma estava encarnada". “Essa deve ter sido a única maneira de garantir a vida após a morte de uma pessoa que não voltou para casa”, explica Polosmak.

Crédito: Vyacheslav Porosev

 

A outra opção desenvolvida pelos pesquisadores é talvez que a prática tenha sido consequência de um “falso enterro”. "Em vez de um homem vivo cuja morte foi encenada por algum motivo, um animal - uma ovelha disfarçada de homem — foi oferecido”, sugere a especialista. O homem teria, dessa forma, "uma chance de ter um novo começo, uma nova vida em um novo status”.

É importante lembrar ainda que, para povos antigos, o carneiro possuía significados importantes, não sendo uma mera coincidência. “O que o crânio do carneiro escondido sob as de barro representando o rosto de um homem nos diz? O que é isso, um acidente? Ou o animal foi o principal herói da história antiga?”, questiona Polosmak.