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Misterioso minério encontrado em Botsuana é identificado após 34 anos

O mineral nunca antes visto foi retirado de um diamante garimpado em meados de 1987

Paola Orlovas, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 24/11/2021, às 15h00

Diamante encontrado na Botsuana com minério raro, chamado davemaoíta dentro
Diamante encontrado na Botsuana com minério raro, chamado davemaoíta dentro - Divulgação / Aaron Celestian / NHMLA

Garimpeiros de diamantes da Botsuana, na África Austral, se decepcionaram em 1987, quando acharam um diamante com pedras pretas dentro, por acreditarem que a pedra não teria o valor comercial que buscavam. O diamante, no fim, foi vendido para um mineralogista dos Estados Unidos, que o guardou sem realizar qualquer teste no item.

Anos mais tarde, cientistas finalmente tiveram a chance de estudar a pedra e, assim, descobriram que as manchas pretas dentro do diamante são um mineral nunca antes visto, que só pode ser encontrado em locais de alta temperatura e pressão. O estudo foi publicado na semana passada pela revista Live Science. 

O mineral foi preservado graças ao diamante e é um tipo de perovskita, possuindo uma estrutura cristalina definida. O nome da pedra, que é composto por perovskita de silicato de cálcio, se tornou davemaoíta.

O título é em homenagem a "Dave" Mao, um geólogo famoso do Centro de Pesquisa Avançada em Ciência e Tecnologia de Alta Pressão em Xangai.

Segundo a BBC, a davemaoíta é apenas uma pequena fração do que está no manto inferior da Terra, "provavelmente apenas 5% a 7%", de acordo com os pesquisadores, mas, ela pode mudar o jogo dentro do campo de estudos de minérios.

Ela foi testada de diferentes formas, já que, até então, os estudos eram conduzidos apenas a partir de uma réplica sintética do minério, devido a raridade dele, e a facilidade com a qual ele se desintegra. Quando o diamante em que as pedras estavam cristalizadas foi quebrado, os cientistas tiveram um segundo para fazer as análises, e depois disso, a davemaoíta tornou-se um cristal.

As descobertas, no entanto, são promissoras, porque os dados obtidos irão ajudar os cientistas a estudar a composição e processos subterrâneos do planeta Terra, além da formação de minerais em ambientes como esse e em meteoritos.