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Moedas “satânicas” encontradas em abadia medieval na Inglaterra

Elas não vieram do trabalho de nenhuma seita macabra, mas há uma insólita história por trás de sua origem

quinta 28 junho, 2018
Moedas criadas na Dinamarca, em 1973, foram descobertas em Bath
Moedas criadas na Dinamarca, em 1973, foram descobertas em Bath Foto:Wikimedia Commons/ Wessex Archeology

Durante um processo de restauração na Abadia de Bath, Inglaterra, arqueólogos encontraram duas moedas satânicas debaixo de uma plataforma. De um lado, as moedas trazem a imagem de Satã, com chifres e carregando um tridente, junto das palavras em latim “Civitas Diaboli” (cidade do Diabo). Do outro lado, a inscrição “13 Maj Anholt 1973” (13 de Maio de 1973, Anholt, em dinamarquês).

A data já deixa claro que não pode ser algo do passado distante do prédio inaugurado há 1600 anos. Trata-se, acreditam, do que os escandinavos chamam de “a pegadinha do século”.

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Em maio de 1973, na ilha dinamarquesa de Anholt, moradores descobriram treze locais onde supostamente teriam acontecido rituais satânicos. Ao investigar as áreas, a polícia encontrou pilhas de ossos, máscaras misteriosas, velas pretas e uma falsa cabeça humana em um pedaço de madeira.

Moedas trazem a inscrição “13 Maj Anholt 1973” Wessex Archaeology

O mistério foi amplamente divulgado pela mídia dinamarquesa – muitos jornalistas diziam ter descoberto evidências de rituais de sacrifício humano e os moradores contavam diversas histórias sobre os rituais satânicos que aconteciam em Anholt.

Quando as histórias sobre os rituais em Anholt começaram a desaparecer, as primeiras moedas foram encontradas, escondidas em igrejas e museus em toda a Dinamarca.

Em alguns casos, as moedas eram acompanhadas por cartas misteriosas, assinadas pela sacerdotisa satânica Alice Mandragora. Em 1981, quando o garoto Keld Grinder-Hansen escreveu um artigo escolar sobre a moeda do Diabo que seu irmão havia encontrado, recebeu uma carta dizendo que os “satanistas iam visitá-lo e tomar sopa de sangue com ele”.

Durante anos, ninguém sabia de onde vinham as moedas ou quem escrevia as cartas. O mistério durou até 2013, quando o jornal dinamarquês Politiken investigou o caso e descobriu a verdade: tudo havia sido uma grande piada, criada por Knud Langkow, morto em 2004, que trabalhava como auxiliar de escritório na Galeria Nacional da Dinamarca, em Copenhague.

Knud Langkow Reprodução/ Politiken

Sobrinha de Langkow, Lene Langkow Saaek disse ao jornal que o homem não era um satanista e que a pegadinha era produto de seu senso de humor. “Eu acho que a normalidade o incomodava. Ele fez isso para ridicularizar a burguesia e fazer com que as pessoas levantassem de suas cadeiras e pensassem”.

Os especialistas acreditam que, das mais de 370 moedas já encontradas – a maioria na Escandinávia – algumas foram criadas por Langkow, e outras por pessoas que entraram na brincadeira. As moedas encontradas na Abadia de Bath farão parte do acervo da organização Wessex Archaeology.

Segundo o arqueólogo Bruce Eaton, os especialistas estão acostumados a evidências escritas que contam uma história falsa, mas não evidências físicas. “Encontrar objetos que foram fabricados, produzidos para induzir ao erro, é fascinante, um alerta de que devemos sempre ver qualquer descoberta com um olhar crítico.”

Letícia Yazbek


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