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Moro revela “traição injustificável" que o fez romper com Bolsonaro

Episódio é citado por ex-ministro em livro que será lançado essa semana

Fabio Previdelli Publicado em 30/11/2021, às 16h30

O ex-ministro Sergio Moro
O ex-ministro Sergio Moro - Getty Images

Com a aproximação da eleições presidenciais, o ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública Sergio Moro, pré-candidado do Podemos, mirou em Jair Bolsonaro e no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no seu novo livro que será lançado na próxima quinta-feira, 2.

Em ‘Contra o sistema da corrupção’ (Editora Sextante), Sergio Moro diz que os possíveis adversários são figuras com problemas éticos e que seguem “uma cartilha populista de sinal trocado: um de esquerda, outro de direita”.

Moro também aproveita a obra para se lançar de vez como o principal candidato de terceira via. Segundo revela o colunista do UOL Thiago Herdy, o ex-ministro revela no livro que se arrependeu de aceitar o convite do atual governo, o qual diz ter falta de comprometimento com uma agenda anti-corruptiva, além de citas as alianças da gestão com partidos do bloco chamado de Centrão. 

Em relação ao petista, Sergio Moro se defendeu das críticas pela maneira como conduziu as investigações que tiveram Lula como réu. "Talvez, por estimularem o culto à própria personalidade, tenham tantos seguidores que fecham os olhos para sua verdadeira natureza", diz sobre ambos. 

Traição injustificável

Moro ainda revelou um importante motivo que desgastou sua relação com Jair Bolsonaro: seu projeto de lei anticrime. A proposta, apresentada ao Congresso Nacional, sofreu uma série de mudanças, que poderiam ser parcialmente vetadas pelo presidente. 

Em um determinado momento, enquanto estava de viagem no Canadá, o ex-ministro soube, por telefone, que Bolsonaro havia mudado de opinião em relação a diversos pontos do projeto, como restrições à prisão preventiva e a visão favorável à exclusão de dispositivos como a criação do juiz de garantias. 

"Confesso que sou uma pessoa com certo orgulho próprio e não gosto de insistir em pedidos a outras pessoas. Aquele foi um dos poucos episódios em minha vida em que praticamente implorei algo a alguém", relata na obra. 

Para um presidente eleito com o discurso de que seria 'duro' no combate ao crime e à corrupção, era mais uma traição injustificável", completa.