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Morre Iván Izquierdo, o cientista pioneiro nos estudos sobre a memória

O pesquisador faleceu aos 83 anos e ainda é o brasileiro mais citado na literatura científica

Larissa Lopes, com supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 10/02/2021, às 16h15

Iván Izquierdo é o maior especialista em memória
Iván Izquierdo é o maior especialista em memória - Divulgação/Youtube

A ciência perdeu um de seus maiores nomes nesta terça-feira, 9. Iván Izquierdo, um dos mais importantes pesquisadores e neurocientistas do mundo, morreu vítima de uma pneumonia, em Porto Alegre, aos 83 anos.

O cientista dedicou toda sua vida para contribuir com os estudos sobre memória, e é o brasileiro mais citado na literatura científica.

Izquierdo faleceu em sua residência e, segundo o Instituto do Cérebro, a pneumonia não teve relação com a Covid-19. No ano passado, ele havia contraído o novo coronavírus, mas se curou sem maiores complicações.

Nascido em Buenos Aires, capital da Argentina, ele morava em Porto Alegre desde 1977 com a família - a esposa, dois filhos e quatro netos. 

Médico e neurocientista, Iván foi consagrado como o pioneiro de um dos principais mecanismos bioquímicos da memória, o fenômeno conhecido como dependência de estado endógena e separação funcional entre as memórias de curta e longa duração.

A partir dessa descoberta, Izquierdo recebeu o título de um dos maiores especialistas em memória do mundo. Sua extensa carreira profissional despontou no estado do Rio Grande do Sul.

Izquierdo em entrevista ao canal Fronteiras do Pensamento. Crédito: Divulgação/Youtube

 

Em 2004, ele se tornou coordenador do Centro de Memória da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do RS, e lecionou para os programas de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica e em Medicina e Ciências da Saúde, na mesma universidade.

Além disso, a partir de 2012, coordenou o Centro de Memória do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul.

O neurocientistaFabiano de Abreu, que é admirador de Izquierdo, confessou ter sido surpreendido quando o conheceu. “Na primeira impressão, achei que ele fosse espanhol, já que a maioria dos pesquisadores são europeus ou americanos e a gente não encontra cientistas brasileiros nos holofotes da imprensa”, disse.

Acontece que Iván fora um cientista argentino que se naturalizou brasileiro. “Isso mostra o quanto ele foi importante levando o nome do Brasil para fora, ou seja, é o que eu sempre falo sobre a valorização da ciência, da popularização, para que possa incentivar a surgir mais Izquierdos”, afirmou Fabiano.

Em sua conta oficial no Twitter, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, lamentou a morte do pesquisador. 

O velório de Iván Izquierdo aconteceu na manhã da quarta-feira, 10, no Crematório Metropolitano de Porto Alegre, e foi restrito a familiares e amigos próximos.