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Morre Rafi Eitan, ex-agente secreto do Mossad e responsável pela prisão do nazista Adolf Eichmann

O então chefe do serviço secreto israelense capturou o 'arquiteto do Holocausto' em 1960 na Argentina

Alana Sousa Publicado em 25/03/2019, às 13h10

Rafi Eitan
Getty Images

Morreu no último sábado, aos 92 anos de idade, o ex-agente secreto israelense Rafi Eitan, no hospital Ichilov, em Tel Aviv, Israel. Eitan ficou famoso por ter comandado a operação que prendeu o nazista Adolf Eichmann, conhecido como o “arquiteto do Holocausto”.

Eitan era “um combatente nato que se entregava à missão e àquilo que considerava justo”, afirmou o presidente israelense, Reuven Rivlin, em comunicado.

O primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, também lamentou a morte dizendo em uma declaração que “Rafi era um dos heróis dos serviços de inteligência do Estado de Israel, com múltiplas ações a favor da segurança de Israel”.

Rafi Eitan nasceu em novembro de 1926, ainda quando a Palestina era governada pelos britânicos. Filho de imigrantes russos, cresceu na cidade de Ramat Hasharon. Desde muito novo empenhou-se na causa israelita, ajudando imigrantes judeus que fugiam da Europa.

Em 1950 ingressou no Mossad, o serviço secreto israelense. Sua carreira como agente secreto o levou a ser chefe do Mossad, onde atingiu o grande feito de sua vida: comandou a operação que capturou Adolf Eichmann em Buenos Aires, Argentina, em 1960. O nazista foi transportado para Israel, onde foi julgado e executado na forca um ano depois.

Posteriormente em entrevista, Eitan contaria que uma das maiores decepções da carreira foi não ter conseguido capturar o “anjo da morte” Josef Mengele: “Quando capturamos Eichmann, Mengele também estava morarando em Buenos Aires. Foi localizado e o apartamento dele colocado sob vigilância”.

A fuga de Mengele se deu porque o Mossad não queria colocar a operação de Eichmann em risco. Mais tarde, o anjo da morte desapareceria para o Brasil, onde morreria em São Paulo em 1979.

Nadav Argaman, chefe do Shin Bet, a Agência de Segurança de Israel, declarou que o agente “conduziu e participou de pelo menos dez operações históricas que continuarão secretas por muitos anos”.