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Morre Tom Moore, veterano britânico de 100 anos que arrecadou milhões contra a Covid-19

Em abril de 2020, prestes a completar 100 anos, Tom iniciou uma campanha para angariar fundos, quando decidiu que completaria 100 voltas ao redor de seu jardim

Fabio Previdelli Publicado em 02/02/2021, às 16h03

Tom Moore dando voltas em seu jardim
Tom Moore dando voltas em seu jardim - Divulgação

Tom Moore, um veterano britânico da Segunda Guerra Mundial que chamou a atenção do mundo ao arrecadar milhões de libras para combater a pandemia do novo coronavírus em seu país, faleceu, aos 100 anos, nesta terça-feira, 2, conforme noticiado pelos familiares. 

"É com grande tristeza que anunciamos a morte de nosso querido pai, o capitão Sir Tom Moore", disseram suas filhas em um comunicado para a imprensa. Segundo noticiou o AH ontem, Moore estava internado desde a amanhã da última segunda-feira, 01, quando foi encaminhado até Bedford Hospital, em Bedfordshire. “Ele estava em casa conosco até hoje, quando precisou de ajuda adicional para respirar”, relatou a filha de Moore, Hannah, nas redes sociais. 

Naquele momento, porém, Tom ainda não precisava de cuidados especiais. Entretanto, seu estado de saúde parece ter mudado nessas 24 horas. "O último ano da vida de nosso pai foi nada menos do que notável. Ele foi rejuvenescido e experimentou coisas que sempre sonhou", disseram suas filhas. 

"Embora tivesse estado em tantos corações por pouco tempo, ele foi um pai e avô incrível e permanecerá vivo em nossos corações para sempre”, completaram. Por conta de uma pneumonia, o veterano não pôde receber a vacina contra o vírus, algo que já está acontecendo com idosos com a idade bem avançada no país.  

"Lamento saber que o capitão Tom faleceu no hospital", disse o ministro britânico da saúde, Matt Hancock, no Twitter. "Ele foi um grande herói britânico que mostrou o melhor do nosso país”. 

A trajetória 

Em abril do ano passado, Tom Moore conseguiu arrecadar 38,9 milhões de libras (equivalente a R$ 285 milhões) para o Serviço Nacional de Saúde (NHS). Na ocasião, seu país passava pelo primeiro lockdown e Tom ainda não havia completado seu centésimo aniversário. 

Para celebrar mais um ano de vida, e ainda angariar fundos para o combate à pandemia, ele decidiu que completaria 100 voltas em torno de seu jardim — fazendo 10 contornos por dia, apenas com a ajuda de seu andador. 

Sobre o valor que conseguiu arrecadar, ele declarou:"Eu acho isso absolutamente enorme. Em nenhum momento em que começamos com este exercício, prevíamos que teríamos algo parecido com esse tipo de dinheiro”, disse em entrevista à BBC na época.

"Isso apenas mostra que as pessoas têm uma consideração tão alta por assuntos do nosso Serviço Nacional de Saúde e é realmente incrível que as pessoas tenham pago tanto dinheiro.”  

Condecoração

Na véspera de completar mais um ano de vida, uma campanha, que teve a BBC britânica como parceira, fez com que Tomrecebesse mais de 125 mil cartas de agradecimentos e congratulações por seu aniversário. 

Moore recebeu tantas cartas que precisou da parceria municipal para abriga-las na Bedford School, próxima à residência dele. Ocupando boa parte do pátio e do auditório do colégio, as principais cartas foram selecionadas por voluntários que as posicionaram em diversos pontos do edifício. 

Já no segundo semestre, em reconhecimento aos seus esforços para arrecadar dinheiro aos britânicos — e também ao modo que sua história alegrou e motivou centenas de pessoas ao redor do mundo —, o veterano recebeu da rainha Elizabeth II o título formal de “sir”, a agradecendo com um singelo e emocionado “muito obrigado”. 

A despedida 

Com a confirmação da morte de Tom, o Palácio de Buckingham informou que a rainha ElizabethII enviará uma mensagem particular de condolências aos familiares do veterano. "Sua Majestade gostou muito de conhecer o capitão Sir Tom e sua família em Windsor no ano passado", disse o comunicado do palácio. 

"Seus pensamentos, e os da família real, estão com eles, reconhecendo a inspiração que ele forneceu para toda a nação e outras pessoas em todo o mundo”, concluiu.