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Mulher arrisca a vida ao se banhar por três horas em antiga terma romana, na Inglaterra

Apesar de já ter sido até prescrita por médicos no século 20, hoje em dia a prática é proibida e perigosa

Redação Publicado em 31/07/2019, às 14h00

Turistas observam mulher se banhar na terma romana da Inglaterra
Turistas observam mulher se banhar na terma romana da Inglaterra - Crédito: Natalie Bochenski

Uma mulher arriscou a vida mergulhando nas águas de uma antiga terma do Império Romano na cidade de Bath, Inglaterra, na última sexta-feira, 26. O próprio nome da cidade quer dizer Banho, em inglês, em referência às águas termais ali presentes. Mas, por questão de saúde pública, banhar-se na estrutura, que data de dois milênios atrás, é proibido.

Se hoje o hábito de tomar banho é individual e íntimo, isso nem sempre foi assim. As termas eram partes importantes da vida pública romana. Os banhos eram coletivos, públicos e usados como lazer e até para tratar problemas de saúde como artrite e reumatismo. Isso chegou até o século 20 quando o NHS, sigla em inglês para Serviço de Saúde Nacional, prescrevia tratamentos nas águas quentes do lugar até 1976.

A terma romana na terra da Rainha foi encontrada ainda no século 19, e, após obras de restauração, foi aberta ao público. O local, inclusive, era usado para um festival anual da cidade. Porém, em 1978, uma mulher morreu após contrair meningite amebiana depois de banhar-se. Desde então, a prática é proibida.

Uma jornalista que estava no local na hora em que a mulher entrou na água disse, em seu perfil pessoal no Twitter, que ela parecia “meio hippie”, e que a segurança do lugar foi bastante paciente . Ela nadou por aproximadamente três horas, convocando outros turistas a se juntarem a ela.

Quando saiu, foram-lhe oferecidas toalhas para se secar enquanto era retirada das premissas. A jornalista elogiou o trabalho da segurança e, segundo ela, foi corroborada por uma turista americana, que disse: “no meu país, ela já teria tomado umas na cabeça”.

Em maio deste ano, dois manifestantes do grupo Extinction Rebellion (Rebelião da Extinção, em tradução livre) também mergulharam nas quentes águas romanas, protestando contra as mudanças climáticas e a falta de vontade dos governos do mundo de realmente fazer algo sobre elas. Alegaram que o mergulho foi emblemático e quis representar o aumento do nível dos oceanos, além da crescente dificuldade no acesso à água potável. 

Já no dia seguinte à invasora, sábado, 27, um youtuber britânico também resolveu nadar um pouco na terma. Ele transmitiu tudo ao vivo em seu canal, e foi taxado de irresponsável pelas autoridades locais. De acordo com eles, isso pode incentivar outros, dificultando o trabalho da segurança e oferecendo um risco à população local.

De acordo com o jornal britânico Daily Mail, todo ano é feita uma limpeza do local, com 250 mil litros de água sendo retirados para evitar que algas cresçam. Mesmo assim, a rara ameba Naegleria fowleri pode estar presente, sendo a causadora da meningite amebiana. 

Apesar dessa raridade, a ameba vive naturalmente em águas quentes. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde de 2010, mesmo quando a doença é detectada rapidamente, ainda há severos riscos de morte ou de danos cerebrais como a perda de audição ou problemas cognitivos.