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Mulher é diagnosticada com doença medieval do "fogo sagrado" na Índia

A condição fez a mulher sentir uma queimação intensa nas pernas, além de outros sintomas perturbadores

Vanessa Centamori Publicado em 24/07/2020, às 11h02

Raio-x da paciente antes e depois do tratamento
Raio-x da paciente antes e depois do tratamento - Divulgação/The New England Journal of Medicine

Um estudo, publicado no jornal de medicina The New England Journal of Medicine, revelou que uma mulher foi diagnosticada na Índia com uma doença medieval conhecida como "fogo sagrado" ou "fogo de Santo Antônio".

A enfermidade surgiu por volta de 1095, agravada pela falta de higiene da época. Ganhou o nome religioso devido ao sucesso de monges que trataram alguns doentes.Na Idade Média, as pessoas adoeciam após ingerirem alimentos derivados de farinha misturada com um fungo, conhecido como Claviceps purpurea

No caso da mulher de 24 anos, tudo começou quando ela comeu algum alimento infectado pelo fungo e começou a sentir uma forte sensação de queimação nas duas pernas, que ia dos dedos dos pés até o meio das coxas. Além do calor infernal, a moça viu também os pés ficarem pálidos e passou a sentir dificuldade de caminhar. 

Os médicos indianos ficaram surpresos quando viram que as pernas dela estavam frias ao toque. Um exame mostrou ainda que não havia pulso nas artérias poplítea e dorsal, ambas responsáveis pelo fluxo sanguíneo dos membros inferiores. Então, veio o diagnóstico: ergotismo. 

Ilustração medieval do ergotismo / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O quadro é bem raro hoje, mas já se desenvolvia há séculos causando gangrena, descamação da pele, sintomas convulsivos, mania e psicose. No caso da mulher, o episódio pode ter se agravado devido à ingestão de remédios para enxaqueca.

Mas a sua situação melhorou após a paciente receber um anticoagulante. A dor nas pernas passou e os membros recuperaram a temperatura normal e o fluxo de sangue. No entanto, a gangrena fez com que um dos pés tivesse que ser amputado.