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Mulher que denunciou violência no Qatar relembra agressão: 'Me deixou marcas no corpo'

Escalada para trabalhar na organização da Copa do Mundo, Paola teve que fugir do país

Alan de Oliveira | @baco.deoli Publicado em 02/05/2022, às 11h23

Paola Schietekat em fotos postadas no Facebook e Instagram
Paola Schietekat em fotos postadas no Facebook e Instagram - Redes Sociais/Divulgação

"Foi agressão e deixou marcas em mim". Esse é um trecho da entrevista da mexicana Paola Schietekat, ao programa “Fantástico”, da TV Globo, exibido ontem, no domingo, 1°, onde relatou os abusos e situações que viveu no país do Oriente Médio.

Estava no meu apartamento e fui agredida por alguém que eu conhecia. Eu o conhecia da comunidade latina, não há muitos latinos no Qatar. Foi violência física, me deixou com marcas no corpo", falou.

A mexicana chegou ao país em 2020 para trabalhar como economista no "Comitê Supremo, órgão encarregado de organizar a Copa do Mundo.

Quando partiu em busca de autoridades com objetivo de denunciar a agressão, o caso passou por diversas etapas e culminou em reviravolta, onde foi acusada de “sexo extraconjugal” — manter relações com uma pessoa casa.

Segundo a Lei Sharia, promulgada no Irã, sob a acusação de Paola são sentenciadas 100 chibatadas e sete anos de prisão.

O fato aconteceu quando o agressor alegou que Paola estava mentindo e que, na verdade, os dois tinham uma relação, em vias de se livrar das acusações. Mesmo sentenciada, lhe foi dada a opção de casar-se com o agressor para livrá-la da pena.

Desesperada com a situação imposta, Schietekat conseguiu fugir do Qatar ainda em 2021 e no mês passado recebeu a notícia de que o caso foi para a promotoria, tendo assim, grandes chances de ser arquivado.

Autoridades não esclarecem denúncias

Diversas denúncias têm sido conduzidas desde o começo das obras para realização do evento esportivo mais assistido do mundo. Como resposta, a entidade organizadora da Copa do Mundo, a "FIFA", alegou iniciar investigações sobre as condições impostas aos trabalhadores no Qatar.

Em nota dada ao “Fantástico”, a entidade disse que a vítima irá receber assistência e cuidados, para continuar acompanhando o caso até estar encerrado.

O futebol ajuda no empoderamento feminino, reduz a delinquência juvenil e a violência. A Fifa teme que as pessoas politizem o futebol, mas futebol é política e é uma ferramenta superimportante", acrescentou.

O torneio que reúne as melhores seleções de futebol de todo planeta ocorrerá entre os dias 21 de novembro a 18 de dezembro.