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Notícias / Ciência

Mulheres são mais resistentes ao coronavírus, diz estudo

Pesquisa feita pela USP, Unesp e Incor pode ter descoberto um gene mais resistente nos sistemas de mulheres

Pedro Paulo Furlan, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 07/02/2022, às 15h29

Imagem ilustrativa de mulher utilizando máscara - Getty Images
Imagem ilustrativa de mulher utilizando máscara - Getty Images

Recentemente, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do Instituto do Coração (Incor) divulgaram um novo estudo que, com base em análise de casos e inspeção genética, mostra que mulheres possivelmente têm menos chances de se contagiar com a covid-19.

O estudo foi conduzido com base em uma dinâmica em específico: um casal em que o marido contraiu o coronavírus e a mulher continuou convivendo diariamente com ele. Mais de dois mil casais se ofereceram para fazer parte da pesquisa e foi possível perceber que as mulheres eram mais resistentes e não foram contagiadas.

Anteriormente, os especialistas estudaram a possibilidade de não-contágio das mulheres ser algo comportamental, no entanto, outros dados, como o fato de que os homens carregarem uma carga viral maior que as mulheres, mostraram que era algo biológico, explicou a especialista Mayana Zatz, em entrevista à CNN.

“Mas em um estudo que realizou a análise da saliva, observou-se que os homens têm uma carga viral dez vezes maior do que as mulheres. A gente sabe que a Covid é transmitida pelas gotículas de saliva, e isso explica porque os homens transmitem mais. Ou seja, são duas situações: as mulheres são mais resistentes quando infectadas, e quando têm o vírus, elas transmitem menos que os homens”, revelou Zatz.

Além disso, os pesquisadores analisaram, em primeiro momento, o material genético de 83 dos casais, incluindo os de ambos os sexos e de indivíduos que pegaram a doença ou não, e, nesse processo, descobriram que algumas das mulheres têm um gene resistente. Depois, analisaram mais 1.700 pessoas para confirmar sua tese.

Esse segundo momento no estudo, como contou Mayana Zatz, mostrou que em geral o número de casos em que o marido foi o primeiro ou único que contraiu era bastante maior — dado que foi conectado à descoberta da resistência feminina.

"Vimos que em 943 casos o homem é que tinha tido antes e transmitido para a mulher ou era o único do casal que teve. Já em 660 casos era a mulher a única ou que transmitiu para o parceiro; ou seja, nós confirmamos que os homens transmitem muito mais e que as mulheres. Além de serem mais resistentes, elas transmitem menos", apontou.

De acordo com a cobertura dos portais g1 e CNN, a pesquisa foi feita no início da pandemia, antes da vacinação e com somente a primeira variante do coronavírus no ar. 

Parte da equipe do estudo na USP, Zatz explicou que os genes descobertos são responsáveis pela resposta do sistema imunológico ao vírus da Covid-19.

"Descobrimos que há um grupo de genes ligados ao sistema imunológico que estava diferente nos infectados e esse gene tem a ver com as respostas, um gene que chamamos de 'assassinos naturais' que nos defendem quando temos uma infecção".