Notícias » Antiguidade

Múmia do faraó Ramsés II ganhou passaporte para sair do Egito e viajar até Paris

O caso ocorreu em 1974, quando o antigo faraó precisou ser restaurado em um laboratório na França

Joseane Pereira Publicado em 12/04/2019, às 12h07

None
Montagem AH

Viajar para um país estrangeiro exige uma série de burocracias, entre elas a emissão de passaporte oficial e visto. E quando se trata de um chefe de Estado, ele pode ser recebido no país visitado com procissões e honras militares, demonstrando as boas vindas do governo local.

E não foi diferente com o rei Ramsés II, nascido em 1303 a.C., quando de sua viagem do Egito para a França em 1974. 

Não, você não leu errado! Entenda agora como se deu a curiosa viagem desse ilustre governante.

Quem foi Ramsés II?

Ramsés II foi o terceiro faraó da 19ª dinastia egípcia, governando de 1279 a 1213 a.C., ou seja, durante 66 anos. O faraó sucedeu seu pai, Seti I, aos 24 anos, iniciando um dos governos mais prestigiosos da história egípcia nos aspectos cultural, econômico, administrativo e militar, fazendo campanha contra inimigos do Egito como os hititas na Anatólia e os núbios no sul do território. Além disso, Ramsés II construiu monumentos notáveis ​​que sobreviveram até hoje -- entre os mais conhecidos estão o complexo de templos Abu Simbel e o templo funerário Ramesseum. Durante seu reinado, o Egito chegou a tamanho apogeu que ele ficou conhecido como Ramsés, o Grande, se sobrepondo a faraós anteriores e posteriores.

Ramsés, o Grande / Reprodução

Três mil anos depois, sua múmia foi encontrada no túmulo coletivo de Deir el-Bahari, em um estado de preservação tamanho que monumentos construídos com suas feições puderam ser confirmados. Em 1885 ele foi colocado para exposição no Museu Egípcio do Cairo, onde permanece até hoje.

Por que a múmia viajou para Paris?

Em 1974, egiptólogos do Museu do Cairo perceberam que a múmia estava se deteriorando pela presença de um fungo. O governo egípcio foi em busca de especialistas que pudessem reverter seu estado, e encontraram a resposta em um laboratório de radiação, só que localizado na França.

Na época, o Egito exigia um passaporte válido de todas as pessoas que saíssem do território -- fossem elas vivas ou mortas. Para isso, foi necessário criar um passaporte para a múmia, que também forneceria a garantia de seu retorno ao país. O documento incluía sua data de nascimento (1303 a.C.) e sua ocupação "Rei (morto)", assim como uma charmosa fotografia. Se tivesse sido feito nos dias de hoje, o passaporte teria o seguinte formato:

Passaporte de Ramsés / Reprodução

Em 1976, a múmia foi finalmente recebida no aeroporto de Paris, com as honrarias militares dignas de um rei. Na capital francesa, uma equipe composta por cento e dez cientistas foi responsável por tentar descobrir as razões pelas quais a múmia estava se degenerando, atribuída posteriormente à ação de um fungo, que foi destruído com irradiações de raios gama. As análises revelaram que o grande Ramessés também sofria de doenças dentárias e inflamação na estrutura óssea.

Na volta de sua viagem internacional, o faraó foi realocado ao Museu do Cairo, onde recebeu inspeção do presidente do país, Anwar Sadat, e sua esposa, que ficaram satisfeitos com o trabalho realizado no estrangeiro.