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Múmia egípcia descoberta em 2019 é mil anos mais antiga do que se pensava, aponta estudo

Nova análise sobre a múmia pode reescrever a história do Egito Antigo

Isabela Barreiros Publicado em 01/11/2021, às 15h42

Tumba onde a múmia de Khuwy foi encontrada no Cairo, Egito
Tumba onde a múmia de Khuwy foi encontrada no Cairo, Egito - Divulgação/Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito

Em 2019, arqueólogos fizeram a descoberta de uma múmia no sul de Cairo, capital do Egito. Agora, com uma análise recente feita por cientistas, acredita-se que ela seja mil anos mais antiga do que se supunha. 

Trata-se do corpo mumificado de um oficial de alto escalão que se chamava Khuwy e teria vivido no período do Reino Antigo do Egito, entre 2649 e 2130 a.C. Ao ter sido embalsamado muito antes do que se pensava, a múmia pode reescrever a história. 

Isso porque, de acordo com o que se sabe, as técnicas sofisticadas de mumificação começaram a ser utilizadas pelos egípcios apenas um milênio depois de Khuwy ter morrido, embora ele tenha sido encontrado em forma de múmia

Como ressalta o jornal britânico The Observer, o corpo mumificado do homem pode mudar o que sabemos sobre a prática, pois, ele prova que os egípcios já preservavam os mortos de forma avançada, por meio da técnica, há pelo menos 4 mil anos.

Durante a análise, os pesquisadores perceberam que o cadáver de Khuwy apresentava aspectos notáveis que seriam empregados apenas muitos anos depois, como linho fino e resina de alta qualidade. 

“Isso mudaria completamente nossa compreensão da evolução da mumificação”, disse Salima Ikram, chefe de egiptologia da American University, no Cairo. 

“Os materiais usados, suas origens e as rotas comerciais associadas a eles terão um impacto dramático em nossa compreensão do Reino Antigo do Egito”, explicou a pesquisadora.

De acordo com os pesquisadores, as suposições eram de que, durante o Reino Antigo, a mumificação consistia em um processo simples que nem sempre dava certo. A dissecação era feita a partir da remoção dos órgãos internos, sem a retirada do cérebro, por exemplo.

“Além disso, o uso de resinas é muito mais limitado nas múmias do Reino Antigo até agora registradas”, explicou. “Esta múmia, por outro lado, está repleta de resinas e tecidos e dá uma impressão completamente diferente de mumificação. Na verdade, é mais como múmias encontradas mil anos depois”.