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Museu Britânico remove estátua do fundador por ligações com a escravidão

O médico irlandês Hans Sloane contribuiu para o surgimento do acervo grandioso do museu, mas também foi proprietário de escravos

Vanessa Centamori Publicado em 25/08/2020, às 15h59

Estátua do fundador do Museu Britânico
Estátua do fundador do Museu Britânico - Wikimedia Commons

Na Inglaterra, um busto do fundador do Museu Britânico, Hans Sloane, foi removido pela instituição londrina devido à ligação do médico irlandês com a escravidão. Ele era proprietário de escravos e financiou parcialmente uma das primeiras coleções expostas, cujo tema era trabalho escravo nas plantações de açúcar da Jamaica. 

As informações são do jornal britânico The Guardian. A publicação conta que a decisão foi tomada por interferência do movimento Black Lives Matter, que repercutiu no mundo todo após a morte de George Floyd, em maio. Os protestos globais alertam para o problema do racismo e da injustiça histórica. 

Como resultado, o diretor do Museu Britânico, Hartwig Fischer, revelou que a imagem de Hans Sloane foi retirada da exibição e guardada em um gabinete seguro ao lado de artefatos que explicam o trabalho da figura histórica no contexto do período imperialista britânico. 

“A dedicação à veracidade quando se trata da história é absolutamente crucial, com o objetivo de reescrever nossa história compartilhada, complicada e, às vezes, muito dolorosa", comentou Fischer. 

Quem foi Hans Sloane 

Sloane nasceu na Irlanda em 1660 e foi um médico renomado. Depois que ele financiou uma das primeiras exposições do Museu Britânico, seus artefatos se tornaram um ponto de partida para o grandioso acervo presente na instituição, que é uma das mais relevantes para a preservação da memória no mundo. 

O médico se casou com uma rica herdeira de uma plantação de açúcar. Seu nome ganhou destaque não apenas na área da museologia, como também ele foi homenageado em locais importantes, incluindo a praça Sloane Square, em Londres.