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Museu da Inglaterra compra placa de primeiro soldado étnico que lutou no exército britânico

O segundo tenente Euan Lucie-Smith, de origem jamaicana, foi o primeiro oficial étnico do exército britânico a morrer em uma batalha da Primeira Guerra Mundial

Giovanna de Matteo Publicado em 18/11/2020, às 07h29

Foto da placa do primeiro soldado étnico do exército britânico a morrer na Primeira Guerra Mundial
Foto da placa do primeiro soldado étnico do exército britânico a morrer na Primeira Guerra Mundial - DIX NOONAN WEBB/ Divulgação

O museu do exército de Warwick, localizado na Inglaterra, comprou uma placa de £ 10.000 (cerca de 70 mil reais) que faz homenagem ao primeiro soldado e oficial britânico de origem étnica que lutou e morreu na Primeira Guerra Mundial.

A placa pertecente ao segundo tenente Euan Lucie-Smith, de origem jamaicana, de pai branco e mãe negra, que veio a falecer em uma missão na Segunda Batalha de Ypres, em 25 de abril de 1915, na França.

A sua carreira no exército começou na Milícia de Artilharia da Jamaica, mas depois foi transferido para o 1º Batalhão Royal Warwickshire, um regimento no qual o museu recebe o mesmo nome.

O segundo tenente Euan Lucie-Smith /DIX NOONAN WEBB/ Divulgação

 

Segundo o Royal Regiment of Fusiliers Museum (Warwickshire), o reconhecimento da placa é importante para a conscientização da diversidade no exército britânico, que Lucie-Smith revolucionou ao fazer parte.

Os curadores do museu receberam a placa na última segunda-feira, 16, depois de adquiri-la em um leilão. Ela foi comprada no valor de £ 10.540, 13 vezes a estimativa de pré-venda.

O tenente-coronel John Rice, que trabalha no museu, disse: "Representa uma estreia. O primeiro oficial de origem étnica a ser comissionado no Exército britânico, a ser comissionado em um regimento britânico e, infelizmente, a morrer no campo de batalha."

Até o momento, um jogador de futebol chamado Walter Tull era considerado o primeiro oficial negro do Exército britânico que morreu durante a Primeira Guerra Mundial. Porém, a descoberta da placa de Euan Lucie-Smith mudou a história, pois revelou que sua trajetória acabou em 1915, três anos antes da morte de Tull.

Ela foi posta à venda no leilão pelo colecionador James Carver, que declarou: "É algo que eu gostaria de manter na minha coleção, mas pensei que não, na verdade, se for leiloado, vai ter muito mais publicidade do que apenas ficar sentado em uma gaveta empoeirada", e acrescenta: "As pessoas podem ouvir sobre sua história. Nunca foi sobre dinheiro, é sobre conseguir reconhecimento para Euan Lucie-Smith."

O Tenente-Coronel Rice explicou que o museu quer incluir "mais visibilidade da diversidade de soldados que serviram no regimento". Está planejado para que ela entre em exibição ainda no início do próximo ano, assim que os curadores encontrarem a melhor forma de enquadrá-la e protegê-la.