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Na Assembleia Geral da ONU, Biden promete dobrar financiamento dos EUA no combate às mudanças climáticas

O discurso feito pelo presidente norte-americano durante a 76ª edição do evento gerou divergências entre os ativistas da pauta

Pamela Malva Publicado em 21/09/2021, às 20h00

Joe Biden na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas
Joe Biden na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas - Getty Images

Nesta terça-feira, 21, durante seu discurso na 76ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Joe Biden afirmou que irá dobrar os fundos de auxílio para nações em desenvolvimento comprometidas no combate às mudanças climáticas. A fala do presidente norte-americano, então, tornou-se assunto entre os ativistas da pauta.

Acontece que, durante seu discurso, Biden afirmou que está trabalhando com o Congresso dos Estados Unidos para arrecadar US $ 11,4 bilhões por ano até 2024. Tal financiamento, segundo a Reuters, seria somado à meta global de US $ 100 bilhões por ano até 2020, definida há mais de dez anos.

A melhor parte é que fazer esses investimentos ambiciosos não é apenas uma boa política climática, é uma chance para cada um de nossos países investir em nós mesmos e em nosso próprio futuro", explicou Joe Biden, durante a Assembleia.

O discurso do democrata ainda chamou atenção por acontecer menos de seis semanas antes da da Conferência sobre Mudanças Climáticas COP26, que acontecerá em Glasgow, na Escócia, entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro.

Para Boris Johnson, primeiro-ministro do Reino Unido, a promessa de cumprir com a meta de financiamento é fundamental para o construir confiança entre as nações em desenvolvimento e as já desenvolvidas, antes que novas negociações sejam feitas.

O problema é que, diante das promessas de Biden, ativistas do meio ambiente se dividiram em duas reações. De um lado, ambientalistas afirmaram que o discurso do norte-americano deu o impulso necessário para o acordo climático de Paris, enquanto outros, como a sueca Greta Thunberg, não ficaram satisfeitos com o posicionamento.

"O compromisso de Biden de aumentar o financiamento internacional do clima para US $ 11,4 bilhões por ano até 2024 é um sinal bem-vindo e muito necessário de que os Estados Unidos estão finalmente levando a sério suas responsabilidades climáticas globais", afirmou Rachel Cleetus, diretora de políticas da Union of Concerned Cientistas.

Para os críticos do discurso de Biden, contudo, a promessa do líder do segundo país que mais emite gases de efeito estufa no mundo não é o suficiente. Ainda mais porque, segundo o World Resources Institute, os US $ 11,4 bilhões prometidos por Biden ainda ficam muito atrás dos US $ 24,5 bilhões garantidos pela União Europeia em 2019.

“É muito fácil entender por que os maiores emissores de CO2 do mundo e os maiores produtores de combustíveis fósseis querem fazer parecer que estão tomando medidas climáticas suficientes com discursos sofisticados. O fato de eles ainda se safarem é outra questão", escreveu Greta Thunberg, em seu perfil no Twitter.