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Na Itália, mulher é presa por adulterar bebida de sua colega de trabalho por nove meses

Ao ouvir boatos de que a empresa onde trabalhava estava em processo de corte de funcionários, Mariangela Cerrato não pensou duas vezes ao decidir prejudicar sua colega de trabalho

Fabio Previdelli Publicado em 15/10/2020, às 13h08

Imagem ilustrativa de uma xícara de café
Imagem ilustrativa de uma xícara de café - Pixabay

Com um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, não é incomum você ver pessoas se desdobrando para conseguirem manter seus empregos. Mas do que você seria capaz se soubesse que sua empresa está prestes a demitir alguns funcionários?  

Foi essa situação que Mariangela Cerrato, de 53 anos se encontrava. Ou pelo menos era assim que ela pensava se encontrar. Ao ouvir rumores de cortes na seguradora onde trabalhava, em Piemonte, na Itália, Mariangela não pensou duas vezes e decidiu colocar seu plano em prática: batizar o cappuccino de sua colega de trabalho.  

Por exercerem as mesmas funções dentro do escritório, Cerrato imaginou que uma queda de desempenho de sua colega/concorrente faria com que ela fosse demitida e, assim, seu emprego se manteria sã e salvo.  

Para isso, Mariangela sempre se dispunha a ir buscar café para seus colegas. E era justamente nesse momento em que ela colocava pó de benzodiazepina na bebida de sua concorrente. Tempos depois, a vítima percebeu que havia algo muito errado em sua rotina, principalmente depois de bater em uma árvore no caminho de volta para o trabalho. 

Ao realizar alguns exames, os médicos não conseguiram encontrar nada diferente em seu organismo. Porém, logo a mulher passou a desconfiar que algo poderia estar errado em seu café depois de ficar alguns dias de folga e notar que se sentia mais ‘normal’. 

"A droga induz fadiga, dores de cabeça, tontura e dores musculares, e o ritmo de trabalho da minha cliente diminuiu depois que ela bebeu os cappuccinos", disse Cristiano Burdese, advogado da vítima ao jornal La Stampa

As desconfianças ficaram ainda maior depois que ela retornou ao escritório, principalmente quando Cerrato a instigou a tomar café. “Vamos, vou te trazer um cappuccino, que mal isso pode lhe fazer”, teria dito à vítima.  

Porém, ao aceitar, manteve uma dose da bebida como prova. O cappuccino mais tarde foi testado e descobriu-se que o líquido continha uma quantidade “extremamente alta” de benzodiazepina. A polícia foi alertada que passou a filmar secretamente Cerrato comprando café para seus colegas e despejando um pó no copo da vítima. 

Mariangela continua negando que tenha batizado a bebida de sua colega e está apelando a condenação que cumpre há quatro anos. “Nossa cliente está extremamente preocupado com esta grave sentença”, disse seu advogado, Alberto Pantosti. “Ela sempre negou a acusação e não consegue entender como essa história absurda está arruinando sua vida”. 

No julgamento, o ex-gerente de Cerrato disse ao tribunal que sua crença de que ela poderia ser demitida foi equivocada e que, na época, em 2017, a empresa não mandaria ninguém embora, muito pelo contrário, eles estavam recrutando novos funcionários.