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Na terceira fase de testes, vacina contra HIV é aplicada em humanos

Quarenta anos depois do início da pandemia de Aids, cientistas encontraram um medicamento com resultados promissores

Pamela Malva Publicado em 12/07/2021, às 11h00

Imagem meramente ilustrativa de vacina
Imagem meramente ilustrativa de vacina - Imagem de Vinzenz Lorenz M por Pixabay

Há cerca de 40 anos, o mundo foi impactado pelo início da pandemia da Aids. De um dia para o outro, milhares de pessoas foram infectadas pelo vírus do HIV, sendo que, hoje, 38 milhões de pessoas vivem com a doença no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Agora, uma nova vacina pode mudar o rumo desse cenário.

De acordo com o Estadão, cientistas de diversos países desenvolveram um imunizante que pode prevenir a infecção pelo vírus do HIV. O recente estudo já está em sua terceira fase de testes, cujos voluntários somam 6 mil pessoas espalhadas pela África, Europa, América do Norte e América Latina.

Dividida em duas frentes, a pesquisa testa 2.637 mulheres heterossexuais na África Subsaariana, enquanto outros 3.600 voluntários, entre homens homossexuais e pessoas trans, são testados na fase chamada de ‘Mosaico’. No Brasil, os testes estão sendo realizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.

Imagem meramente ilustrativa de vacinas / Crédito: Imagem de AdelinaZw por Pixabay

 

A terceira fase do estudo busca verificar a eficácia da vacina em larga escala, sendo que as duas primeiras fases identificaram a segurança do medicamento e qual é a dose apropriada para imunização. Antes de ser testada em humanos, a mesma vacina foi testada em macacos, com resultados que indicaram uma proteção de 67% contra o vírus.

Com as novas informações, os cientistas encontram-se bastante otimistas. “Nas fases 1 e 2, a vacina se mostrou muito segura. Resta saber se essa resposta é capaz de reduzir a incidência da infecção”, explicou o infectologista Ricardo Vasconcelos, coordenador da fase 3 no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

De acordo com o cientista, os efeitos colaterais do imunizante “são parecidos aos da AstraZeneca contra a covid: dor local, febre por um dia, dor de cabeça”. A tecnologia utilizada para desenvolver o medicamento, inclusive, é bastante parecida com a da vacina contra o Coronavírus, utilizando o adenovírus inativado.

Em sua terceira fase de testes, a nova vacina contra o HIV está sendo aplicada em voluntários soronegativos, que podem ser expostos à infecção. Uma vez medicadas com as quatro doses necessárias, as pessoas serão acompanhadas pelos cientistas por 30 meses, sendo que metade dos voluntários receberão apenas um placebo.

Profissional da saúde vacina uma pessoa / Crédito: Divulgação/ Pixabay/ huntlh

 

O medicamento

Segundo os estudiosos, a dificuldade de encontrar um imunizante contra a Aids reside na grande capacidade de mutação do vírus do HIV. “São muitos tipos diferentes de vírus circulando pelo mundo, a ideia é conseguir cobrir o maior número possível de variantes”, explicou Ricardo Vasconcelos.

Nesse sentido, de acordo com o especialista, a nova pesquisa “se chama Mosaico porque reúne milhares de fragmentos de HIV”. A ideia é cobrir o maior número possível de variações com o medicamento, a fim de ampliar sua eficácia contra as muitas cepas.

Para o infectologista Bernardo Porto Maia, coordenador da pesquisa Mosaico no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, não há “nada melhor que a imunização em massa para combater uma pandemia”. Segundo o cientista, após 40 ans de pesquisas, “os avanços mais recentes, como a profilaxia pós-exposição, estão mudando o rumo da epidemia”. Ainda assim, ele acredita ser “inaceitável termos quase 700 mil mortes ao ano por uma doença que sabemos como prevenir e como tratar”.