Notícias » Brasil

"Não tem isso de nasceu homem, pode ser mulher", diz Ministro da Educação

Milton Ribeiro proferiu a fala durante evento de lançamento de programa na última quarta, 9

Redação Publicado em 10/03/2022, às 08h40 - Atualizado às 09h40

Milton Ribeiro durante pronunciamento
Milton Ribeiro durante pronunciamento - Divulgação / Youtube / Poder360

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, protagonizou um episódio de ódio gratuito durante um evento de lançamento do programa "Merendeiras do Brasil", na última quarta-feira, 9.

Em meio a um discurso onde buscava valorizar o ensino público brasileiro, ele realizou comentários transfóbicos associando a transexualidade com a "violação da inocência das crianças".

Sem nenhuma citação prévia ou relação com o tema da cerimônia, Ribeiro, que é pastor pela Igreja Presbiteriana, aproveitou o palanque para replicar a pauta defendida pela campanha do presidente Jair Bolsonaro, reafirmando que a sexualidade parte da educação dos pais e da escola e que, dessa forma, não deve influenciar ou ensinar "alternativas" ou variações do que não é cisgênero, como explicou o jornal Metrópole.

"Nós não vamos permitir que a educação brasileira vá por um caminho de tentar ensinar coisa errada para as crianças. Coisa errada se aprende na rua. Dentro da escola, a gente aprende o que é bom, o correto, o civismo, o patriotismo. Por isso que tem um grupo da população que infelizmente me critica, mas tenho certeza que as merendeiras, mães, avós estão comigo”, afirmou Milton

Por fim, deixou claro a aversão a pauta: “Não vou permitir que ninguém violente a inocência das crianças nas escolas públicas. Esse é um compromisso do nosso presidente. Não tem esse negócio de ensinar: 'você nasceu homem, pode ser mulher'. Respeito todas as orientações. Mas uma coisa é respeitar, incentivar é outro passo", concluiu.

Não é a primeira vez que o ministro chama atenção pelas falas de ódio; em 31 de janeiro deste ano, ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF) por crime de homofobia, usando como base um depoimento por ele dado em 2020 associando a homossexualidade a "famílias desajustadas" e "falta de atenção dos pais".