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'Não toquem nas minhas roupas': Mulheres afegãs protestam contra imposição das burcas pelo Talibã

Criada pela historiadora Roxana Bahar Jalali, a iniciativa já foi aderida por centenas de jovens e viralizou nas redes sociais

Pamela Malva Publicado em 15/09/2021, às 20h00

Fotografia de mulheres afegãs em Cabul, em 2010
Fotografia de mulheres afegãs em Cabul, em 2010 - Getty Images

Entre as novas medidas impostas pelo Talibã após a retomada do poder no Afeganistão, as burcas tornaram-se obrigatórias para as mulheres mais uma vez. Acontece que, ao contrário do último regime do grupo fundamentalista islâmico, ocorrido há 20 anos, contudo, as afegãs modernas decidiram combater a imposição dos novos líderes.

Assim, segundo a Reuters, nasceu a campanha #DoNotTouchMyClothes (ou Não toquem nas minhas roupas, em tradução livre). Criada pela historiadora Roxana Bahar Jalali, a iniciativa tem o objetivo de evidenciar a real vestimenta tradicional do Afeganistão.

"Nenhuma mulher jamais se vestiu assim na história do Afeganistão. Isso é totalmente estranho à cultura afegã”, explicou a afegã, em entrevista ao India Time. “Publiquei uma foto minha com o traje tradicional afegão para informar, educar e dissipar a desinformação que está sendo propagada pelos talibãs.” Confira a foto abaixo:

Foi apenas depois que Sana Safi, jornalista da BBC, aderiu à campanha, contudo, que a hashtag viralizou nas redes sociais. Agora, junto de grandes representantes, centenas de mulheres afegãs têm compartilhado fotos suas em vestimentas tradicionais do país — em vestidos longos com cores vivas e, às vezes, um véu que não cobre o rosto.

Criadora do primeiro programa acadêmico de Estudos de Gênero na Universidade Americana do Afeganistão, a historiadora Roxana Bahar, então, inspirou diversas mulheres, não apenas no território afegão, como também em países estrangeiros.

"Esta é a cultura afegã. Este é o meu vestido tradicional", afirmou Roxana, por fim. “O nosso traje cultural não são as roupas de dementador [fazendo referência à criatura do universo dos filmes de Harry Porter] que os talibãs querem que as mulheres usem.”