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Nativos-americanos caçavam lontras marinhas por sua pele, afirma estudo

Segundo a antropóloga responsável pelo pesquisa, eles provavelmente não consumiam os animais

Isabela Barreiros Publicado em 03/06/2020, às 08h00

Imagem ilustrativa de uma lontra marinha
Imagem ilustrativa de uma lontra marinha - Wikimedia Commons

Um novo estudo publicado na revista científica American Antiquity explorou de maneira mais profunda o uso de lontras marinhas por populações nativo-americanas no Alasca. Segundo a principal responsável pelo artigo, a antropóloga Madonna Moss, da Universidade de Oregon, é provável que eles tenham usado os animais essencialmente por sua pele.

"Caçar lontras marinhas e usar peles de lontras marinhas é uma tradição cultural Tlingit e Haida há milhares de anos", explicou Moss. "Se as lontras marinhas forem reintroduzidas em outros lugares da costa do Pacífico, ou se seus números aumentarem constantemente, as Primeiras Nações, os nativos americanos e os nativos do Alasca devem se envolver no planejamento e na tomada de decisões, com prioridade em termos de direitos de recursos".

Ela utilizou diversas evidências arqueológicas para conseguir compreender o uso da espécie por esses povos. "As marcas de corte nos ossos devem me dar uma boa ideia dos padrões de uso", afirmou Hannah Wellman, também especialista no tema. A partir disso, sugeriram que o consumo da carne da espécie não era tão comum, mas sim o uso da pele.

O grupo, no entanto, estudou mais especificamente o grupo Tlingit, e, assim, não pode generalizar o uso por todas as populações nativo-americanas que viviam na região.

"Sabemos por arqueologia, conhecimento tribal, histórias orais e etnografias que as lontras marinhas eram extremamente importantes para os grupos indígenas ao longo da costa noroeste”, conclui.